Edson Rontani Júnior, jornalista e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba
A
vida é feita de memórias. Muitas vezes, é melhor colocar essas memórias no
papel para evitar lapsos ou esquecimentos. Algumas delas são curiosas e
engraçadas, valendo compartilha-las.
Vista longa - A memória pode
falhar, mas talvez em 1994, um famoso político veio a Piracicaba apoiar
candidatos que concorriam a vagas para deputado estadual e deputado federal.
Foi recebido pela comitiva no estacionamento do Zilliat Shopping Center, onde
hoje é o estacionamento do Supermercado Jau Serve. Passaria pelo interior do
Shopping e na sequência percorreria o Mercado Municipal para se expor diante
dos comerciantes e consumidores.
Isso
tudo acabou ocorrendo. O fato é: quando chegou ao estacionamento, possivelmente
num Comodoro cor preta, a comitiva não soube onde enfiar a cara. Estava em
construção o Edifício Central Parque vizinho de parede com o Zilliat.
A
obra tinha diversos trabalhadores que davam a forma final do prédio. Eis que lá
do alto, ouve-se um uníssono “LADRÃO”!!! Um simples trabalhador da construção
civil reconheceu o político e soltou esta pérola. Membros da comitiva se
contiveram seriamente para não estragar a recepção. Mas que depois foi motivo
de discussão nas rodinhas, isso ninguém pode negar.
Discussão – Novembro de 1996.
O local era a escadaria do Ginásio Municipal de Esportes Waldemar Blatkauskas,
ao lado do Estádio Barão da Serra Negra. Horário: por volta das 18h40. Ocorria
a apuração das eleições municipais que demorava dias para ser finalizada.
Emissoras de rádio marcavam presença destinando sua programação para a
apuração. A contagem dos votos era manual e muitas vezes exigia uma revisão
para referendar tal urna ou seção de votação.
A
equipe da Rádio Alvorada estava a postos até que chega um senhor e pergunta:
“Quem é o responsável por isso aqui? Aquele indivíduo – apontando o locutor de
plantão – está acabando publicamente com minha imagem”. O locutor que estava ao
vivo e percebendo a intenção, talvez por serem desafetos, desliga o microfone e
começa a bradar: “falo mesmo sobre você com toda categoria que lhe é
pertinente”. Ambos chegam próximos e passam a discutir até que o primeiro
arranca da mão do locutor um microfone pesado, dobrável, estilo “boca de
jacaré”, e atira-o na cabeça do locutor. Este, que usava brilhantina sofre o
impacto e, por mais irônico que pareça, parte de seu cabelo vem à frente como
uma ave ouriçada tipo cacatua quando busca briga. Ao jogar o microfone, o
ofendido o desligou do cabeamento de transmissão deixando a emissora num
silêncio sepulcral.
De
longe, via-se cerca de seis policiais militares em célere caminhar
direcionando-se à balbúrdia. Quase todos foram para a delegacia explicar o
ocorrido. Os dois senhores do embate viram-se um de costa para o outro seguem
sua vida. Minutos após a emissora retorna ao ar com “A Voz do Brasil”.
Fim da surpresa - Era a Festa
das Nações por volta de 1993 ou 1994. O evento ocorria em dois finais de semana
e apresentava mega shows que atraiam multidões. Numa destas noites iria se
apresentar Fábio Jr., renomado ator e músico, consagrado com milhares de discos
vendidos.
A
multidão de fãs se aglomerava próximo ao camarim do palco que ficava à esquerda
da plateia. Era o único caminho para entrar no palco e realizar sua
apresentação. Tietes aos montes.
Eis
que chegam duas viaturas da Polícia Militar. A primeira estaciona e saem seus
ocupantes. Na segunda, uma pessoa acenando as mãos chama a atenção das fãs que
gritam “é o Fábio ... lindo, bonito, gostosão, nós viemos aqui para te ver”.
A
viatura para, sai um homem coberto por um paletó. Ao tirar o paletó, um
policial militar. Fábio Júnior estava no primeiro carro e entrou na surdina.
Frustação total ... Todos tiveram que se contentar em vê-lo apenas no palco
acima da plateia.

