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sábado, 19 de agosto de 2017

“Os três garimpeiros” - revisão de uma leitura

* por Edson Rontani Júnior


   Jacarés infestando o Rio Piracicaba, índios Tupis se atracando com os moradores ribeirinhos de Piracicaba, jagunços no Porto João Alfredo (atual bairro de Ártemis) e a Rua do Porto como centro regional de compra e venda de ouro. Assim era Piracicaba no ano de 1868. Se isso não ocorreu na vida real, ao menos aconteceu no filme “Os Três Garimpeiros”, aventura de época filmada em Piracicaba em 1954 pelo diretor italiano Gianni Pons (em seu segundo filme brasileiro) através da Fama Film e da Produtores Independentes Ltda. A filmagem, ousada para a época, trazia astros de “O Cangaceiro” rodado dois anos antes e um dos poucos filmes pelo qual o Brasil ainda é conhecido internacionalmente, principalmente por ter recebido o prêmio de melhor filme de aventura no Festival de Cinema de Cannes.
   A sociedade parou para acompanhar os atores e as filmagens. “Piracicaba tinha, e ainda possui, paisagens exuberantes para uma produção cinematográfica, conta Gregório Marchiori Netto, advogado e figurante da fita. À isto aliava-se o crescimento industrial que a cidade apresentava além de ser um grande centro exibidor de filmes para cinema, possuindo na época de seis a oito salas. Por três meses, a produção foi o assunto nas rodas de conversa principalmente por trazer artistas como Alberto Ruschel, Milton Ribeiro, Adoniran Barbosa (estes três presentes em “O Cangaceiro”), Aurora Duarte e Hélio Souto (que décadas depois tornou-se conhecido pelas novelas da Rede Globo como “Locomotivas” e “Guerra dos Sexos”). O filme tinha tudo para dar certo. Elenco afinado, boa música (de Enrico Simonetti com canções de Tito Madi e Erlon Chaves), cenários naturais de grande beleza.


   Os jovens corriam para assistir às filmagens e muitos até trabalharam de graça como figurantes. Ainda hoje é comum ver uma família citar que conhece alguém que tenha feito parte dos quase 100 figurantes desta produção. O cinema era a diversão da grande massa na época junto ao rádio. A tv, lançada dois anos antes, ainda era novidade. Entre estes figurantes, alguns ainda estão vivos e destacaram-se não pela arte cinematográfica mas sim por outras atividades como Brás Salles (sindicalista), Gregório Marchiori (advogado), José Cantarelli (fotógrafo, cujo nome é citado por este filme no Institute Movie Database), João Chaddad  (arquiteto e vice-prefeito) e Francisco Andia (assistente de direção que depois fundou a Águia Filmes e teve uma rede de cinemas na cidade), entre tantos outros.


A atriz Luana Marcial

   O diretor Gianni Pons queria realizar muitas cenas externas como forma de economizar cenário e Piracicaba oferecia isso. A produção e o elenco rodaram cenas nas beiras do rio Piracicaba, no Engenho Central, na Chácara Nazareth e na Usina Monte Alegre. Artistas se hospedaram no Grande Hotel (Boa Morte com Dom Pedro II, onde se encontra o Edifício José Antonio Orsini).
   “Os Três Garimpeiros” foi um dos oito filmes rodados no Brasil em 1954, ano em que se criou o “Cinema Novo” com “Rio 40 Graus” de Nelson Pereira dos Santos. Naquele ano foram rodados também “A Carrocinha” com Mazzaropi além de obras de Adhemar Gonzaga, Watson Macedo e Carlos Hugo Christensen, ícones do cinema nacional.
   Três meses de filmagem renderam 80 minutos de filme e histórias que as gerações ainda contam. O filme nunca mais foi visto no cinema, tv ou em vhs ou dvd.


   A história seguia argumento de Teophilo G. P. Andrade e se passa na segunda metade do século XIX, quando estava em andamento da Guerra do Paraguai. O império se vê acuado quando seu exército fica sem munição e armamento. O ouro-de-lei é a moeda para os traficantes de armas. Aí surge a busca pelos “três garimpeiros” através de uma missão do exército que pretende negociar a compra de ouro e adquirir os armamentos.
   A atração durante as filmagens era a de ver ao vivo os galãs do cinema andando pelas ruas de Piracicaba. Cruzava-se nas ruas com Alberto Ruschel (tenente Alberto Prado), Aurora Duarte (como Branca), Milton Ribeiro (Gerônimo), Hélio Souto (Português), além de um grupo de apoio formado por Ricardo Campos (Delegado), Caetano Gherardi (Caetano), Tito Livio Baccarin (Hans), Uriel César, Demétrio Age, Paulo Aliberti, Lia Cortese, Alfred Simoney e os Índios Tapuias, grupo indígena que se apresentava em circos.


   Hélio Souto, numa das festas da Usina Monte Alegre, conheceu Maria Helena Morganti, filha do comendador Pedro Morganti, motivando um casamento que durou 22 anos. Milton Ribeiro, que especializou-se em papéis de jagunços ou cangaceiros, ou “a maldade em pessoa”, era o antônimo na vida real. Estiloso, educado, podia ser visto andando sozinho na Praça José Bonifácio, point dos jovens na época. “Encontrei-me, junto a dois amigos, com ele andando pela rua Alferes José Caetano, em frente aonde hoje está a Câmara Municipal – diz Gregório Marchiori – e por vinte minutos falamos sobre a vida e sobre cinema; era uma pessoa muito afável”. Foi um período irregular do ator falecido aos 50 anos. Conseguiu sucesso internacional com "O Cangaceiro”, em seguida fez “Os Três Garimpeiros” - que caiu no esquecimento - e, um ano depois, participou de ‘Três Destinos”, por ironia, nunca concluído.
   “Para muitos piracicabanos, foi a glória na grande tela”, diz Gregório Marchiori Netto, que desde criança tinha como heróis os cowboys eternizados no cinema como Rocky Lane, Bill Elliot e Roy Rogers. “Cheguei a ver ‘Os Três Garimpeiros’ três vezes em sua exibição no Cine Politeama (na Praça José Bonifácio) e assisti-lo sossegado era impossível, pois toda Piracicaba queria ver alguém conhecido e a platéia, a todo momento, falava alto sobre este ou aquele personagem tipo ‘aquele de costas é fulano, aquele outro é beltrano’”.


   O diretor italiano Gianni Pons veio ao Brasil na época de criação da Cia. Vera Cruz, em São Paulo, a principal “importadora” de mão-de-obra para o cinema de então, como forma de concorrer com as produtoras cariocas. Ele tinha experiência como roteirista na Itália. Aurora Duarte lançou-se para o estrelato em 1952 quando Alberto Cavalcanti filmou em Pernambuco “O Canto do Mar”. Um ano depois mudou-se para São Paulo exclusivamente para fazer este “Os Três Garimpeiros”.
   Sua finalização quase não ocorreu por falta de recursos financeiros. Vários aluguéis sequer foram pagos. Carroças, cavalos e outros itens eram emprestados. Até o roteiro deve de ser alterado. Na sua montagem notaram-se erros de seqüência. Usou-se o que estava disponível. O romance entre Ruschel e Aurora acaba não se concretizando pois no final ele parte com o ouro e ela permanece no vilarejo.


   O ex-ministro Luís Carlos Bresser-Pereira, quando crítico de artes no jornal “O Tempo”, na edição de 9 de janeiro de 1955, classificou o filme como “péssimo caracterizado por aventuras de mau gosto”. Critica a falta de roteiro e as caretas de Ruschel e Aurora, sem contar a interpretação dos índios. Em seu ponto de vista, faltou critério pois quase todos os figurantes eram mortos na trama, o que segundo ele “é tratar morte e a impiedade de forma boçal, pornográfica, profundamente irritante”. 



    Assim como existe aquela pessoa que sabe de alguém que participou do filme, existe também aquela que sabe dos erros nele contido. Marchiori diz que a produção pode ser considerada um “filme b” ou um “trash-movie”, como eram conhecidos os filmes norte-americanas sem muito recurso financeiros e pouco cenário. São vários erros históricos ou seqüenciais quem nem mesmo a presença do elenco estelar conseguiu desviar a atenção. Numa cena de incêndio, um dos figurantes pega uma lata estampando a marca Querosene Jacaré - lançado pela Esso nos anos de 1950. Em outra cena, dois cavalos pretos andam pela paisagem e de repente de outro ângulo se transformam em brancos. Em época de bacamartes e garruchas de cano comprido, um dos atores pega uma pistola que só passou a ser fabricada no início do século XX. Existe também aquele personagem que após quase se afogar no rio deita-se na beira e pede água ou ainda um figurante com cabelo cortado e com brilhantina. Para um filme de época, isso é um erro grave. Se realidade ou folclore, não se tem certeza. Mas, desde que, em “O Manto Sagrado”, Jesus Cristo foi auxiliado por um cidadão que portava um relógio de pulso, tudo é valido.








quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Tatuzinho


A Caninha Tatuzinho é uma marca centenária. Foi criada em 1910 por Paschoal D'Abronzo, filho de imigrantes italianos que encontraram no Brasil um destino para suas vidas. A Caninha começou a ser fabricada nos anos 1950, depois de anos do fabrico de vinagres e refrigerantes. A D'Abronzo Sociedade Anônima envasava a Tatuzinho (não a fabricava a aguardente) e a revendia para todo o país. Nesta publicação, um dos diplomas de consagração pública, entregue em 1963.

sábado, 12 de agosto de 2017

Primeiras ocupações



   Logo após a instalação da Vila Nova da Constituição, Piracicaba, em 1816, passou a nomear sua liderança.
   A Câmara de Vereadores foi formada pelo capitão João José da Silva (presidente), Xisto de Quadros Aranha (oposição), Garcia Rodrigo Bueno, Miguel Antonio Gonçalvez.
   Miguel Leme de Oliveira foi designado procurador da Câmara na intenção de verificar a execução das ordens que saíam do legislativo.
   Apenas um vereador foi designado: Ignácio de Almeida Lara. Para porteiro da Câmara: Manoel Rosa, para carcereiro da cadeia, João de Passos.
   Francisco Sampaio era quem arrecadava impostos (o popular tesoureiro da décima). Outro arrecadador de impostos, porém federais, era João da Fé do Amaral Gorgel. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Renato Wagner - Óleos


   "Draga no Corumbataí" foi uma tela a óleo pintada em 1982 por Renato Wagner. Ela ilustrava o folder da exposição "Renato Wagner - Óleos", exposta de 6 a 22 de maio de 1983 na Associação dos Dentistas (APCD). A mostra ajudava a divulgar o Departamento Cultural da entidade dirigido pelo dentista e músico Raul Gobeth. "Atividades como estas enriquecem o convívio como também dão apoio aos artistas que terão receptividade junto a esta casa", dizia o convite.Wagner participou dos principais salões do interior paulista, sendo premiado com a aquisição , em 1969, durante o Salão Paulista de Belas Artes, atribuído pela prefeitura da capital paulista, feito repetido no ano seguinte. (Edson Rontani Júnior)

domingo, 6 de agosto de 2017

60 anos do Museu Prudente de Moraes


   O Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes comemora em agosto 60 anos de inauguração. 
   Há 60 anos, o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes abria suas portas à sociedade piracicabana. Em 1956, foi criada através de decreto estadual a rede de Museus Históricos e Pedagógicos no Estado de São Paulo. Inicialmente foram criados quatro Museus Históricos e Pedagógicos - Prudente de Moraes (Piracicaba), Campos Sales (Campinas), Rodrigues Alves (Guaratinguetá) e Washington Luís (Batatais), quatro Presidentes da República, republicanos e paulistas.
   Compreendido como políticas públicas do Governo Estadual em consonância com o Município, entre os anos de 1956 e 1973, foram criados dezenas de Museus Históricos e Pedagógicos no Estado com o propósito em atender aspirações da sociedade de uma época, ao mesmo tempo em que evidencia a construção do imaginário paulista, sobrevalorizando o Estado de São Paulo por meio da atuação de alguns políticos no cenário nacional. Nesse sentido, esses museus cultuariam o período republicano e destacariam a importância do Estado na História do Brasil. 
Em Piracicaba, o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes foi inaugurado em 01 de agosto de 1957. Inicialmente funcionava em uma das salas da antiga casa de Prudente de Moraes junto com a Diretoria de Ensino; aos poucos, nos anos subsequentes ao funcionamento, foi ampliando suas exposições nos cômodos do edifício ao mesmo tempo em que a Diretoria de Ensino deixava o prédio para sede própria. Todo o acervo era exposto; inclusive o espaço do auditório era utilizado para expor os animais taxidermizados, fósseis e minerais; apenas na década de 1990, no entanto, houve um trabalho de remontagem das exposições, mas que ainda não permitiu a configuração deste espaço como um museu mais específico sobre Prudente de Moraes.
   Dois fatores estruturantes no processo museológico de instalação foram marcantes: primeiro, o espaço de implantação do Museu em edifício de valor histórico que tivesse relação direta com seu patrono e, segundo, equipe técnica que contou com professores da rede pública. “Como no período não havia equipe técnica disponível para atuar diretamente nesses espaços, o Estado organiza Curso de Museologia destinados a professores com o interesse em trabalhar a história dos patronos, da cidade e a relação destes com o Estado e o Brasil em parceria com Museus do Estado do Rio de Janeiro, em especial o Museu Nacional e o Museu Imperial”, conta a diretora Renata Gava. O Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes foi uma das instituições que abrigou este Curso de Museologia.
   A despeito de ser iniciativa promovida por uma política pública, os Museus Históricos e Pedagógicos somente existiram com a participação da população local doando os objetos que vieram a constituir seus acervos e pela participação dos professores da rede pública estadual de ensino, de onde se originou grande parte de seus gestores. 
De 1957 até 1992, quando de sua reestruturação, o MHP Prudente de Moraes se delineou aos preceitos instituídos pelo Estado, a qual desempenhou intensa atividade junto ao meio escolar com realização de concursos, elaboração de trabalhos escolares de biografia sobre seu patrono e histórico da cidade de Piracicaba e visitas de grupos escolares. Sua manutenção atendeu às necessidades pedagógicas requeridas, inclusive no período militar, consoantes com as propostas pedagógicas de cunho cívico. 
Com a reestruturação de 2009, a concepção museológica muda; voltado às ações socioculturais alinhado à museologia social, o espaço passou por amplo plano de ação de integração, valorização e requalificação com ações de reestruturação, restauro, recuperação e ampliação da estrutura física da antiga residência do Primeiro Presidente Civil da República, adequação do espaço museológico, requalificação museográfica e museológica. 
Em 2010, teve o início do processo de municipalização do Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, não concluso até o presente momento, tendo passado ao município a gestão do espaço e o uso e apropriação, em comodato, do edifício tombado faltando apenas a posse do acervo que se encontra em processo final.
   Ao longo dos 60 anos de atuação, o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes passou por transformação física, política e sócio-cultural e atualmente enfrenta o desafio de se adequar à dinâmica da sociedade contemporânea buscando estabelecer relação entre público e museu a fim de atender às perspectivas de uma comunidade mais ativa habituada a várias linguagens, símbolos e fontes de informações. 

sábado, 5 de agosto de 2017

Meu paciente é animal




* por Edson Rontani Júnior

No dia a dia, o dentista trata a dentição de seres humanos com os quais se relaciona. Esses podem expressar qual dente dói ou indicar dores faciais que lhes acometem. Uma área pouco conhecida, inclusive para os dentistas, é a odontologia veterinária. Tratar o canal de um leão ou curar a fratura no bico de um papagaio é realidade para Mariana Ramos da Silva (foto abaixo), médica veterinária e mestre na área pela Universidade Federal Rural de Pernambuco.


Ela atua como “dentista de animais”, ou seja, é médica veterinária com serviços voltados exclusivamente para a odontologia veterinária, atendendo as áreas presentes na odontologia convencional como periodontia (o osso que segura o dente), endodontia (canal), dentística (restaurações), ortodontia (dentes desalinhados), implantodontia (dentes perdidos), cirurgias buco-maxilo (boca, maxila, mandíbula e face) etc.
Mariana, que atualmente é residente do serviço de odontologia veterinária e cirurgia oral na Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), diz que esta atuação é desconhecida pela maioria das pessoas, inclusive dos profissionais da odontologia.
Ela declara que a dedicação a área é necessária, pois “percebi como era grande a carência de um tratamento odontológico qualificado para os animais; da mesma forma que os problemas bucais causam dor nas pessoas, o mesmo ocorre nos animais e é preciso ter sensibilidade e responsabilidade com os seres que dependem inteiramente dos nossos cuidados”. 


Por ser uma área relativamente nova aqui no Brasil, infelizmente a falta de informação ainda existe, inclusive entre os próprios veterinários que muitas vezes, de forma equivocada, convidam dentistas para realizar procedimentos nos seus pacientes. Os dentistas, por sua vez, desconhecem a lei 5.517 que regulamenta e confere competência exclusiva ao médico veterinário na prática da clínica médica e cirúrgica em animais. Os sujeitos que desrespeitam de forma consciente ou inconsciente estão sujeitos à pena pelo exercício ilegal da profissão. “Mas este quadro está mudando; a odontologia é a especialidade dentro da Medicina Veterinária que mais tem se desenvolvido nos últimos anos e o Brasil é um centro de referência na América latina desde a criação da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária, em 2002”, diz a profissional.

Incidências – A doença periodontal é a causa mais comum dos problemas bucais nos animais. Segundo pesquisas, mais de 85% dos cães e gatos acima de três anos são portadores da doença em algum grau. A falta de higiene bucal é um dos fatores que contribuem para este problema. Em segundo lugar, estão os tratamentos endodônticos. As fraturas dentais são muito freqüentes, principalmente nos cães. Isto ocorre porque ainda existe o hábito de dar ossos a estes animais, que impõe uma grande força na oclusão, levando à quebra dos dentes. A melhor forma de “limpar os dentes” é com escovação diária, igual àquela feita nos seres humanos.
A maior parte dos veterinários-dentistas atende, com maior freqüência, cães e gatos. Por possuírem um contato direto, dentro de casa, com os membros da família os cuidados com a saúde destes animais são um fator não só de preocupação individual com o bichinho, mas fundamentalmente uma questão de saúde pública. Neste quadro, os cães são os que mais sofrem com problemas bucais.
Mariana lembra que “a odontologia não compreende só os dentes, mas todo o complexo estomatognático, incluindo ossos faciais, músculos, articulações etc”. Nos animais não é diferente. Os bicos das aves representam sua mandíbula e maxila, além de membros articulados que usam para levar o alimento à boca. Problemas nestas estruturas como fraturas ou infecções, podem acarretar em dificuldade na apreensão dos alimentos ou até a total incapacidade de se alimentar. E a prática demonstra que o animal é mais “humano” que o homem, pois aceita a ajuda para curar-lhe de uma doença, não reclama e ... não chora ao pagar a conta ...


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

E Piracicaba comemorou seus 250 anos

Solenidade realizada na manhã de 1º. de agosto, na Praça José Bonifácio, comemorou os 250 anos de Piracicaba.





sábado, 22 de julho de 2017

Theatro São José



   Anúncio de jornal de época:

   "Inaugura-se, finalmente, amanhã, o sumptuoso Theatro São José, a mais confortável e luxuosa casa de espetáculos desta cidade."
   "Possue a nova casa de diversões acommodações para cerca de 2.000 pessoas, pois além de 1.000 cadeiras da platéia, conta com 46 camarotes, 36 frisas, 242 localidades de balcões numeradas e 200 de amphiteatro".

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Primórdios do teatro em Piracicaba


   Um dos primeiros, senão o primeiro teatro em Piracicaba surgiu em 23 de setembro de 1871, data em que lançada a pedra inaugural de um teatro sem denominação aparente. Ele era conduzido por Miguel Arcanjo Benício de Assumpção Dutra e estava situado onde encontra-se hoje a praça José Bonifácio, em mesmo local onde situou-se o Teatro Santo Estevão (acima, em foto interna). Em 1887 ele já recebia público para as apresentações teatrais.

   Em 1890 foi reformado pelo Barão de Rezende que depois transformou o espaço no Teatro Santo Estevão, sendo demolido em 1953. O mesmo espaço serviu a Biblioteca Municipal e também sediou a Sociedade de Cultura Artística. Serviu também de encontros sociais como o levante que enviou piracicabanos para o front de batalha durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

domingo, 16 de julho de 2017

Ruas


   Em 1816, Piracicaba possuía cinco ruas e outras travessas. A principal era a estrada que, vinda de Itu, seguia para um sertão desconhecido.
   A estrada de Itu serviria para delinear a rua Moraes Barros, a qual foi chamada de Picadão do Mato Grosso, Caminho de Itu, Rua do Porto, Rua Direita e o nome atual.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Atriz alemã em Piracicaba


Em 1940, passou por Piracicaba a atriz e cantora húngara que teve destaque no cinema alemão chamada Marta Eggerth. Antes da Segunda Guerra Mundial ela atuava na empresa UFA, produtora dos principais filmes da Alemanha. Fez carreira em dramas ao lado do marido o também ator e cantor Jan Kiepura.

O casal, fugindo do conflito na Europa, residiu um tempo em Águas de São Pedro. Em Piracicaba ficaram apenas algumas horas. Partiram depois para os Estados Unidos onde ficaram até o fim da vida. Lá fez apenas dois filmes pela MGM: "Idílio em dó ré mi" (com Judy Garland) e "Lylly a teimosa" (também com Judy Garland).

Fabian foi outro artista com fama em Hollywood que por aqui pisou tendo se apresentado em 1965 no Clube Coronel Barbosa.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Piracicaba - A Florença brasileira


Mais uma luxuosa obra de autoria do jornalista e escritor Cecílio Elias Netto acaba de ganhar vida. Trata-se de 'Piracicaba, a Florença Brasileira – Belas Artes Piracicabanas', título com 242 páginas que engrossa o rol de odes literárias dedicadas à cidade por ele. Desta feita, o autor, que em outras “expedições” já celebrou o rio e o dialeto caipiracicabano, se debruça sobre telas, esculturas, afrescos, entalhes, histórias e o legado de artistas plásticos filhos da terra e/ou com vínculos históricos com o município.

A apresentação do título foi na Pinacoteca Municipal 'Miguel Dutra', espaço cultural que leva o nome do artista plástico mais conhecido como Miguelzinho Dutra (1812-1875), o pintor histórico que puxa a fila de homenageados no livro, que é trilíngue (Português, Inglês e Italiano).

A partir desta “pedra fundamental”, a publicação repassa obras e pequenas biografias de outros nobres membros da casta Dutra (Archimedes, Joaquim, Antônio de Pádua, Alípio, João), de pintores como Almeida Júnior, Antônio Pacheco Ferraz, Renato Wagner, Joca Adâmoli, Frei Paulo de Sorocaba, de artistas contemporâneos.

Também cita a instituição da própria Pinacoteca, do Salão de Belas Artes, da Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos (Apap) e outros eventos/espaços culturais consolidados na cidade.

No prefácio, Elias Netto, que é autor de mais de 25 livros, diz que a obra é “o mais dramático desafio literário de sua vida”, pois exigiu dele a “audácia de mergulhar no profundo e insondável mistério da arte”. E depois justifica o nome da publicação: “Chamaram-nos de 'A Florença Brasileira', a metáfora para tentar explicar os tesouros artísticos que começavam a brotar do pequeno torrão sertanejo”.

Segundo Marcelo Fuzeti Elias, presidente do ICEN e filho do autor, o livro terá uma tiragem inicial de três mil exemplares. “Ele será distribuído em eventos, em palestras, em escolas públicas, Bibliotecas e outros espaços culturais”, comenta. O título também será vendido a R$ 50,00 em bancas de jornal, na livraria Nobel e na página do ICEN no Facebook (icen.org.br).

sábado, 8 de julho de 2017

Lei de 1844



Leis que foram criadas pelos vereadores de Piracicaba na segunda metade do Século 19 (lá por volta de 1864...)  

   "Todos os formigueiros têm que ser tirados no prazo de três meses"
   "Ninguém pode proferir palavrões em voz alta, em lugares públicos ou particulares"
   "Depois das nove horas da noite, nada de vozerios e tumultos que perturbem o sossego do público"
   "Escravos não podem jogar na casa de ninguém"
   "Animal que entra em roça alheia, seja apanhado e vendido em haste pública".

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Lyson Gaster

   Lyson Gaster foi uma atriz piracicabana que brilhou nos palcos locais no início do século passado. Segundo Olívio N. Alleoni, em seu livro "Teatro Municipal Dr. Losso Netto - Três Décadas de Cultura", seu verdadeiro nome era Agostinha Belber Pastor. Era filha de Rafael Belber Pastor e Maria Antonia Dias. Nascida em 2 de setembro de 1895 na Espanha, passou seus primeiros anos de vida em Corumbataí (hoje, Santa Terezinha) onde estudou. Casou-se com Nicolau Rahal, hábil sapateiro, com quem teve dois filhos: Osires e Romeu.
   Por problemas familiares, separou-se do marido e conheceu Antonio Viviani, seu futuro segundo marido, com quem conviveu até a morte. Era morena clara, de olhos e cabelos negros. Em 1919, transformou-se em Lyson, cantora e intérprete, e foi uma das supremas estrelas do teatro de sua época. Faleceu em 1970.