Brazilian way of life
* Edson Rontani Júnior
Estamos celebrando os 70 anos do “brazilian
way of life”, ou melhor, do “american way of life” no Brasil. No dia 28 de
janeiro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, o Brasil aceitava o cortejo
dos Estados Unidos e aliava-se ao Tio Sam com propostas que foram muito além do
conflito mundial. Foi a partir daí que passamos a beber Coca-Cola, que trocamos
o francês pelo inglês e mudamos nosso modismo, predominado até então pelas
influências europeias.
A data marca a visita feita por Franklin
Delano Roosevelt, presidente norte-americano, a Getúlio Vargas para discutir
ações a fim de criar em Natal, Rio Grande do Norte, uma base aérea aliada que
enviaria até 300 aviões por dia para o norte da África, área estratégica para
ter acesso à Europa invadida pelas forças nazistas de Adolph Hitler.
Vargas estava sendo seduzido pelo
investimento dos EUA para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)
e Roosevelt preocupava-se com a aproximação brasileira com o fascismo. Surgem
ações “cavalheirescas” que culminaram com a política da boa vizinhança. Já
havíamos exportado Carmen Miranda, Orson Welles vem ao Brasil filmar o
inacabado “It’s all true” e Walt Disney é fascinado pela vida tropical, criando
o Zé Carioca.
Foram influências que mudaram nosso
comportamento criando modismos que nos perseguem até hoje. Cabe lembrar que,
antes da Segunda Guerra, o francês era a língua mais usual no país, depois do
português e do latim, herança que tivemos da Coroa Portuguesa desde séculos
antes. Queira ou não, o domínio americano hoje é visto na marca de seu celular,
o tipo de tv que você assiste ou a frase estampada na camiseta que você
utilizará no fim de semana.
Porém, uma as ações mais duradouras, foi sentida
na linguagem. Foi a partir daí que utilizamos termos que viraram sinônimos de
produtos como Gilette, Colgate, Kolynos, Coca-Cola e muitos outros. Esta
influência já havia sido plantada no início do século com a concessão pelo
Governo Federal para que empresas britânicas explorassem as vias férreas no
norte e nordeste.
A língua também sofreu mudanças que se
incluíram nos modos franceses unindo-se aos vitrôs (vitreaux), chofer (chauffeur)
e tantos outros. Aprendemos que uma das danças mais tradicionais deste país se
chamava forró por influência americana. Forró foi o aportuguesamento de “for
all”, baile arrasta-pé feito nas bases militares americanas sábado à noite, aberto
a todos (open for all). Também
descobrimos que o uso constante de qualquer calçado fechado nos traz o chulé.
Quando o americano tirava o calçado ele estava desprovido de sapatos que inglês
é shoelles. As influências foram imensas. Brindemos então com um refrigerante
de cola, de shoelles e curtindo um for all !
* Edson Rontani Júnior é
jornalista
MATÉRIA ORIGINALMENTE PUBLICADA NA TRIBUNA PIRACICABANA DE 26/02/2013
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