Edson Rontani Júnior, jornalista e vice-presidente do
Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba
Na coluna anterior, relembrei três fatos que vivi nos anos 1990. Talvez, todos desconhecidos da grande população. Foram poucas as pessoas que estiveram ao meu lado durante o ocorrido e, involuntariamente, servi como testemunha ocular dos fatos. Vamos para mais alguns.
Ordem ao coronel - Falecido dia 17 de fevereiro do ano passado, Carlos Miranda notabilizou-se como o “Vigilante Rodoviário” na série televisiva dos anos 1960. Em 1993, esteve em Piracicaba a pedido da Polícia Rodoviária do Estado, base local. A intenção era dele, enquanto coronel da Polícia Militar Rodoviária Estadual, abrir uma exposição sobre acidentes nas rodovias, realizado no Shopping Center Piracicaba onde está hoje a praça de alimentação. E lá veio, de Itanhaém, onde residia. Foi recebido pelo policial Guedes (Luiz Antônio Guedes de Moura), que estudava jornalismo na Unimep e exercia a função de assessor de comunicação de uma base na região.
Miranda posou com muitas pessoas ao lado do seu veículo Simca Chambord, similar ao do seriado. Repentinamente, começa a queixar-se dos coturnos que lhe matavam os pés. Tira um imenso canivete e começa a recortar as botinas. Romualdo José Briganti, professor Babi, renomado no ensino e cinéfilo adorador do personagem, solta um berro que parou o Shopping: “por favor, senhor Vigilante ! Não faça isso !!!”. Miranda queixa-se do calçado que lhe aperta os pés, tira as duas botinas e entrega a Babi. Este, esboça um sorriso tremendo por ter sua memorábilia os coturnos de seu ídolo televisivo. Sai abraçado ao par de pisantes. E o coronel, outrora vigilante das rodovias ao lado do fiel cão Lobo, parte pelo Shopping caminhando pelos corredores com sua indumentária de policial rodoviário da TV apenas de meias...
Maravilha - Foi numa sexta feira que antecedeu o Carnaval de Piracicaba. Deve ter sido em 1991 ou 1992. O cenário era o saguão do Beira Rio Palace Hotel, por volta das 18 horas. Havia na ocasião uma coletiva de imprensa para falar sobre o Carnaval daquele ano.
No sofá, toda colorida e simpática estava a atriz Elke Maravilha, contratada pela Prefeitura para animar a folia daquele ano. Apresentação daqui, falatório dali, Elke passa a dar atenção aos representantes das mídias de forma individual.
Eis que o repórter da Rádio Alvorada lhe pergunta como ela via Piracicaba sem Carnaval de rua naquele ano. Ela, na maravilha que lhe tornou peculiar na TV, solta um alto e estrondoso: “Como não vamos ter Carnaval ??? O que vim fazer aqui, então???”.
Silêncio no salão, até que um assessor vem e acalma a jurada do Cassino do Chacrinha: “não teremos Carnaval de rua, mas teremos blocos carnavalescos e bailes noturnos que se concentrarão em determinados locais da cidade”. E assim Piracicaba maravilhou-se com Elke naquele ano.
Encontros – Como jornalista e profissional da Rádio Difusora e Rádio Alvorada, participei de vários encontros com os artistas de grande renome dos anos 1980 e 1990. Alguns deles foram Edwin Louise (da novela “Princesa Isabel”), os membros do grupo Casseta e Planeta entre outros. Um dos casos mais “saia justa” ocorre nos estúdios da Rádio Alvorada AM, cuja frequência é hoje ocupada pela Jovem Pan News. Na ocasião, estava em Piracicaba Mário Lago, ator de renome nas novelas da TV Globo e musicista – foi ele quem compôs “Amélia” (...aquilo sim que era mulher de verdade...). Lago aparece no estúdio da emissora acompanhado de assessores da Secretaria de Cultura. O locutor de plantão, sem saber o que abordar, no meio do bate-papo diz: “como o senhor tem conhecimento...”. Lago diz de uma forma bem ríspida: “meu jovem, eu com mais de 60 anos de atuação e 80 anos de vida se não souber como as coisas são não estaria aqui onde estou”. Eis que repentinamente, uma lágrima escorre do locutor, que tem a boca seca e exclama: “nossos comerciais, por favor”. Quem souber outra, que conte !
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