segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Erotides de Campos
sábado, 29 de agosto de 2020
O espelho de Narciso
Edson Rontani Júnior, jornalista
O
sonho de Ícaro: voar como os pássaros. Preso em um labirinto, de lá ele queria
sair. Para isso, fez asas similares às dos pássaros. Porém, as penas foram
coladas com cera de abelha. Conseguiu levantar voo e não deu atenção às
orientações para que não se aproximasse do sol, pois o calor derreteria a cera,
desfazendo suas asas. Dito e feito. As asas ficaram frágeis e ele caiu no mar,
onde morre.
O
sonho de Narciso: ter vida longa desde que nunca se contemplasse. Uma das
variantes históricas conta que ele tinha uma irmã gêmea. Ambos se vestiam
iguais e tinham as mesmas personalidades. Acabaram assumindo um amor platônico
e, quando, ela morre, Narciso passa a contemplar seu próprio reflexo na água
crendo que via sua irmã.
Ambas
histórias podem ter origem na mitologia grega. Narciso teve variantes provindas
dos indo-europeus seguindo uma mitologia a qual diz que a alma poderia ser
roubada por bestas marinhas caso refletisse na água.
Na
“mitologia atual”, deu-se asas e espelhos para ícaros e narcisos no formato de
smartphone. E o melhor, contemplou narcisistas e não-narcisistas com câmera no
verso e no anverso do aparelho. As populares selfies, sensação mercadológica a
partir de 2012, impulsionaram os antigos telefones móveis. Afinal, o celular hoje
é um cinema/tv portátil, é um computador de bolso, é uma câmera de fotografia,
é um geolocalizador e ... também funciona como telefone!
Os
indo-americanos acreditavam que o reflexo na água roubava a alma. Aliás, é o
mesmo mito usado quando a fotografia foi inventada, há cerca de 200 anos atrás.
Até se tornar um produto comercial, houve muita resistência. Sua criação não
serviu para perpetuar o instante fotografado. Teve por objetivo unicamente fazer
comércio. Depois descobriu-se que a união de vários fotogramas criava a imagem
em movimento e surgiu o cinema. Haaa ... Aí deu tempo de esquecer que o
registro fotográfico roubava a alma ...
Para
os narcisistas, o mercado criou o Facebook (livro de faces ... na tradução
livre), uma das 20 marcas mais valiosas do mundo, com altíssima valorização em
menos de duas décadas desde sua criação. Algo que a Coca-Cola e outras marcas
demoraram anos para alcançar.
Dados
não muito recentes, precisamente de 2014 (pouco tempo depois dos smarts terem
câmera reversa), foram tiradas 880 bilhões de fotografias, maioria de nós
mesmos, as selfies.
Sobre
esse narcisismo exacerbado, infinitas teses foram geradas. Sempre estamos
sorrindo, no meio de amigos, exercitando-nos fisicamente ou comendo algo gostoso.
São as mais polidas fotos de si mesmo (por isto, selfie vem de yourfelf). É um
mundo irreal ou temos realmente tudo o que expomos nesta vitrine? É questão de
status? Pode ser. O papel aqui não é ser o psicólogo de plantão, mas mostrar
como uma ação mercadológica provoca tendências que geram dúvidas se é modismo
ou algo que veio para ficar. É comum ver acidentes fatais durante a pose para a
selfie, como já registrados em Piracicaba e no mundo todo. Em consequência,
mexemos com o ego. Já notou que as academias possuem parede de vidro e os
restaurantes expandiram-se mais para a rua? Consequência da necessidade da
exposição.
Dependência
social ou busca pela auto-estima. Melhor refletir. Ou dar o espelho a Narciso.
(Artigo publicado no Jornal de Piracicaba de 26/08/2020 e na Tribuna Piracicabana de 28/08/2020)
domingo, 23 de agosto de 2020
Revista Mirante
Retorno dos campeões - XV de Piracicaba - 1968
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
domingo, 16 de agosto de 2020
José de Alencar e seu Til
Poderia alegar em seu favor que logo depois de remetido à tipografia o original, teve necessidade de ir a Baependi fazer uso das águas de Caxambu, que lhe eram aconselhadas. Nem venha o leitor com sua contrariedade, lembrando que nesse decurso escrevi ele o Til para o folhetim da República. É o Till desses livros que se compõem com material próprio, fornecido pela reminiscência, e que portanto se podem escrever e viagem, sobre a perna, ou num canto de mesa de jantar." (obra citada)
Em primeiro lugar, o trecho "se compõem co material próprio, fornecido pela reminiscência", atesta que ele esteve numa fazenda, distante uma légua (6,6 km) abaixo da confluência do rio Atibaia com o Jaguari, no Piracicaba, conforme conta no livro,Til.
A natureza tem caprichos. Há criaturas dualistas, sem perderam a unidade do seu ser.
domingo, 2 de agosto de 2020
Um certo capitão ...
Em seu “Manual de História Piracicaba”, escrito por Guilherme Vitti e publicado pelo Jornal de Piracicaba durante as comemorações do segundo centenário de Piracicaba, o autor diz que a distribuição da Sesmaria de Piracicaba (primeiro nome de nosso vilarejo), ocorre na década de 1690 sem o propósito de sua ocupação. Quase um século mais tarde é elevada à Povoação, graças a Antonio Correa Barbosa, destinado a ser o povoador da cidade.
Recebemos diversas denominações como Freguesia de Piracicaba, Vila Nova da Constituição (em homenagem à carta magna de Portugal), Cidade da Constituição e, em 1887, é oficialmente denominada de Cidade de Piracicaba. Registros históricos demonstram que em 1693 a sesmaria de Piracicaba foi requerida por Pedro de Morais Cavalcanti, justificando que pretendia povoar a região. Ficou só na intenção ...
Mas, de onde vem seu nome? Bom, cada cabeça tem uma sentença. O mais popular (“lugar onde o peixe para”) teve várias outras interpretações como “peixe que chega”, “lugar onde chega o peixe”, “colheita de peixe”, “lugar onde se ajunta peixe”, “rio por onde sobem os peixes”, ou “lugar em que se apanha o peixe com facilidade”.
O nome veio de uma expressão indígena que, segundo Vitti, era falado como “percicaba”, “piracicava” ou “piracicaba”. A história foi tão ingrata que não se sabe quais índios instituíram o nome de tão bela cidade interiorana. O autor arrisca dizer que podem ter sidos tribos dos barranqueiros, guaianeses, caiapós ou colorados, que sumiram com o tempo após serem acuados por outras tribos mais fortes ou, ainda, serem índios nômades em vias de extinção.
O capitão-mor de Itu, fez o primeiro registro da tradução de seu nome. Disse Vicente de Costa Taques Góes e Aranha, em memórias escritas em próprio punho durante a fundação da cidade, que aqui é “onde o peixe chega” ou “lugar onde chega o peixe”. O resto, é lenda. Ajuda a alimentar a imaginação humana.
Antonio Correa Barbosa veio para mudar a história. De entreposto, ele criou a vila que começaria bem ao lado do rio Piracicaba. Ocupou parte de onde, quatro décadas antes, havia sido concluída parte da estrada (“picadão”), que levaria os bandeirantes para o Mato Grosso durante a “febre do ouro” brasileira. O local serviria de destino para Cuiabá e tinha a vantagem do rio Piracicaba estar próximo ao rio Tietê, alternativas para navegação rápida ao centro-oeste brasileiro.
Porém, no meio do rio havia piranhas! Ou melhor índios paiaguás e caiapós que lançavam flechas sobre os desbravadores. A história conta que, de uma expedição com cerca de 300 homens brancos, os índios deixarem apenas cinco para que contassem o feitio para a posteridade.
O sertanista Antonio Correa Barbosa aparece neste meio tempo como povoador da junção do rio Piracicaba como Rio Tietê. Lá, ele deveria gerir um depósito de sal, uma fábrica de canoas e cultivar cereais para a colônia Forte de Iguatemi, divisa de onde depois seria criado o Paraguai. O local era pantanoso. Desagradou nossoo povoador. Este, pegou sua comitiva de desbravadores (aproximadamente 40 pessoas) e percorreu o Piracicaba até chegar onde hoje conhecemos como a mata ciliar entre Piracicaba e Limeira. Os desbravadores eram vadios (homem sem local fixo de trabalho), dispersos (homem sem família constituída) e vagabundos (andarilho e sem moradia fixa), termos, segundo Guilherme Vitti, que seguiam as colocações usuais de então. Barbosa tinha 32 anos à época da fundação.
Já por aqui estabelecido, em 1770, o capitão-general da província de São Paulo incumbe Correa Barbosa de reabrir o picadão para o Mato Grosso. Conclui a obra em quatro meses, recebendo em seguida o título de Capitão-Povoador.
Já na década de 1770, Piracicaba passa a atrair a atenção dos moradores de Itu, Porto Feliz e São Carlos (distrito de Piracicaba), que por aqui vem constituir moradia e família. Isso fez com que, de vilarejo, a capitania propusesse a criação de uma povoação, o que ocorreu em 31 de julho de 1784, data em que a cidade se expande além rio Piracicaba. Foi neste dia em que se delimita o primeiro arruamento da cidade. Antonio Correa Barbosa teria de expandir a cidade para um perímetro estipulado entre o rio Piracicaba e ribeirão do Itapeva (hoje avenida Armando de Salles Oliveira) findando-se próximo à área do Terminal Rodoviário Intermunicipal.
Esta seria, num brevíssimo relance, a vida em de Piracicaba há 253 anos atrás. Tudo iniciado por um certo capitão ...







