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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Estamos americanizados há 70 anos ...


Brazilian way of life

* Edson Rontani Júnior

   Estamos celebrando os 70 anos do “brazilian way of life”, ou melhor, do “american way of life” no Brasil. No dia 28 de janeiro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, o Brasil aceitava o cortejo dos Estados Unidos e aliava-se ao Tio Sam com propostas que foram muito além do conflito mundial. Foi a partir daí que passamos a beber Coca-Cola, que trocamos o francês pelo inglês e mudamos nosso modismo, predominado até então pelas influências europeias.
   A data marca a visita feita por Franklin Delano Roosevelt, presidente norte-americano, a Getúlio Vargas para discutir ações a fim de criar em Natal, Rio Grande do Norte, uma base aérea aliada que enviaria até 300 aviões por dia para o norte da África, área estratégica para ter acesso à Europa invadida pelas forças nazistas de Adolph Hitler.
   Vargas estava sendo seduzido pelo investimento dos EUA para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Roosevelt preocupava-se com a aproximação brasileira com o fascismo. Surgem ações “cavalheirescas” que culminaram com a política da boa vizinhança. Já havíamos exportado Carmen Miranda, Orson Welles vem ao Brasil filmar o inacabado “It’s all true” e Walt Disney é fascinado pela vida tropical, criando o Zé Carioca.
   Foram influências que mudaram nosso comportamento criando modismos que nos perseguem até hoje. Cabe lembrar que, antes da Segunda Guerra, o francês era a língua mais usual no país, depois do português e do latim, herança que tivemos da Coroa Portuguesa desde séculos antes. Queira ou não, o domínio americano hoje é visto na marca de seu celular, o tipo de tv que você assiste ou a frase estampada na camiseta que você utilizará no fim de semana.
   Porém, uma as ações mais duradouras, foi sentida na linguagem. Foi a partir daí que utilizamos termos que viraram sinônimos de produtos como Gilette, Colgate, Kolynos, Coca-Cola e muitos outros. Esta influência já havia sido plantada no início do século com a concessão pelo Governo Federal para que empresas britânicas explorassem as vias férreas no norte e nordeste.
   A língua também sofreu mudanças que se incluíram nos modos franceses unindo-se aos vitrôs (vitreaux), chofer (chauffeur) e tantos outros. Aprendemos que uma das danças mais tradicionais deste país se chamava forró por influência americana. Forró foi o aportuguesamento de “for all”, baile arrasta-pé feito nas bases militares americanas sábado à noite, aberto a todos (open for all). Também descobrimos que o uso constante de qualquer calçado fechado nos traz o chulé. Quando o americano tirava o calçado ele estava desprovido de sapatos que inglês é shoelles. As influências foram imensas. Brindemos então com um refrigerante de cola, de shoelles e curtindo um for all ! 

* Edson Rontani Júnior é jornalista

MATÉRIA ORIGINALMENTE PUBLICADA NA TRIBUNA PIRACICABANA DE 26/02/2013


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