Páginas

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

As cartas de setembro

Edson Rontani Júnior, jornalista e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba 


Noventa e quatro anos atrás Piracicaba recebia tristes notícias. Em setembro de 1932, estava em curso, havia dois meses, a Revolução Constitucionalista. Semanalmente, a cidade chorava pelos seus filhos mortos. A bestialidade humana parava a sociedade que, de longe, assistia o sofrimento de piracicabanos ou membros incluídos no Batalhão Piracicabano que defendia o setor norte do estado de São Paulo, evitando avanço das forças federais de Getúlio Vargas. Estas forças viriam com arrogância tremenda sufocar os “rebeldes” neste que foi o último levante social armado do Brasil.

Foram vitimados piracicabanos e outros representantes do estado de São Paulo. Setembro deixava uma conta amarga: Alexandre Petta, Antenor de Barros César, Claudionor Barbieri, Francisco Honório de Souza, João Sampaio, Lauro de Barros Penteado e Romário de Mello Nery. Foram alguns piracicabanos, outros passaram por Piracicaba para trabalhar ou estudar, e teve também aquele que foi incorporado ao Batalhão que levou o nome de nossa cidade na Revolução de 1932.

A cidade assistia às ações com determinada distância – geográfica, diga-se de passagem. O relato para a cidade era feito em cartas despachadas de distantes cidades, entregues ao Correio Militar MMDC e que viajava de veículo automotor até chegar ao seu destino/destinatário. São Paulo foi o único Estado a ter três serviços do correio: o oficial mantido pelo governo federal, o estadual para civis e o Militar MMDC. Todos passavam por censura. Os que passavam pela mão do correio federal mau chegavam ao seu destino em São Paulo. Era uma forma de evitar passar informações ao inimigo. As demais demoravam semanas para serem entregues.

No início de setembro, Piracicaba recebe carta do 2º. sargento Juvenal Fernandes de Oliveira comandante do pelotão piracicabano destinada ao sr. Luiz Dias Gonzaga, Prefeito Municipal. Ele relata: “Completamos hoje o nosso trigesimo dia de trincheira, no alto da Serra da Mantiqueira, dois quilômetros dentro do territorio mineiro. Por isso, quero justamente elogiar a demonstração de altivez, nobreza de caracter, disciplina, cumprimento fiel do dever, extraordinaria resistencia ao frio, á geada, á chuva, ao tufão, com suas rajadas de gelar o corpo humano, que são os peores inimigos dos meus heroicos comandados: Nelson Nobrega, Cassio Ferraz Sampaio, Celso Barbosa Ferraz, Henrique Nehring, Edgard e Nelson Ferraz Cotrim, Oswaldo Miller, o bravo “mascotte” que é de uma coragem extraordinaria, Joaquim Rodrigues Gaspar, Christovam Bettoni, José Bassan, Dorival Dias de Toledo e Antonio Pacheco, que sabem affrontar a morte sempre com um sorriso nos labios.”.

Outra carta “Do jovem Lazaro, valente voluntario de 16 annos apenas, ao seu pae, sr. Sebastião Figueira Bueno: Barra Grande, 2-9-932, (...) Estive 5 dias com dòr de ouvido, mais (sic) não foi nada; agora estou bem. Resolvi para as trincheiras; não me acostumo a ficar sem meus companheiros, pois com elles a vida passa mais alegremente.”. Foi publicada no jornal O Momento de 7 de setembro de 1932.

Mais uma: “Saudações por mãos do nosso companheiro Antonio Alexandre recebemos os “capuzes” que a vossa bondade patriotica nos enviou. Nesta serra, onde o clima tem qualquer cousa de indomável, a vossa offerta veio completar o nosso aparelhamento de defesa. E, nas noites de geada, tufão ou chuva, na mente das sentinellas que ficam ao relento, vigiando pelos companheiros, são renovados constantemente os nossos agradecimentos. Carta de Nelson Nobrega a Lucila Zanotta.” (Gazeta de Piracicaba, 9 de setembro de 1932).

A imprensa local era o ponto de elevação da moral. A sociedade se guiava pelos informes dos jornais impressos e pelas notícias recebidas pelo rádio de outras cidades. Na cidade não havia TV nem emissora de rádio. A informação era passada de boca a boca ou pelo papel como o jornal ou telegrama.

Havia momento de civismo como escreveu em carta de “Silveiras, 7 de Setembro de 1932. Hoje, mesmo nas trincheiras commemoramos a data de nossa independência. Suspendemos o fogo e, todos reunidos, em formatura, prestamos continencia a Bandeiram que foi hasteada sobre as trincheiras, ao som dos clarins. Depois cantámos o hymno Nacional e voltamos para o nosso posto. QUIZINHO, carta de Joaquim Norberto Junior (O Momento, 10 de setembro de 1932).

Vivia-se uma utopia que não imaginava-se que estava no fim. Semana que vem vamos esclarecer.

(Publicado no Jornal de Piracicaba de 27 de setembro de 2026 e na Tribuna Piracicabana de 03 de outubro de 2026)

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Pacato cidadão

Edson Rontani Júnior, jornalista e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba 


Era um dos mais pacatos que conheci. Levantava durante a semana às 8 horas e aos finais de semana estava com os olhos estalados na cama já às 5h30. Tinha suas regras e era conhecido como metódico. Tomava café sempre no mesmo lugar. Cortava o carbelo no mesmo local havia 40 anos. À noite, regava as plantas do seu quintal. Pegava os mesmos trajetos por décadas, conhecendo as ruas melhor que na palma de sua mão. “Opa ! Consertaram o buraco que estava aqui havia meses”, pensou certa feita. “Pintaram esta casa. Nem a percebia mais; porém a tinta a realçou e chamou minha atenção”, pensou, também.

Um dia, ia ao trabalho por uma rua. No outro pegava outra rua. Pensava que, assim, a rotina nunca o entediaria. Ia sempre aos mesmos restaurantes pois já os conhecia e gostava de evitar surpresas desagradáveis. Um cidadão simples, sem muitos anseios, mas de bom gosto, quase um bon vivant, que buscava na vida um sentido. Dizia que a mente vazia não era a casa do diabo e sim da depressão, das neuras e do tédio. Fazia todo dia as palavras cruzadas estampadas no jornal. Sim ! Este cidadão ainda se informava pelos jornais, uma de suas principais paixões.

Nada de “Strangers Things” ou “The Office”, nada de Netflix. Gostava de ler no papel. Ficava horas no quintal de sua casa debulhando os clássicos de Edgard Allan Poe, Nataniel Howthorne, Ray Bradbury e outros. Na TV preferia o que considerava magnífico: Stanley Kubrick, Roger Corman, Frank Capra, George Stevens, Howard Hawks, William Wyler e até Fritz Lang. Via e revia. Não deixava de se atualizar com os lançamentos para mexer a massa cinzenta e não ficar desatualizado. “Afinal, preciso ter assunto para a conversa durante o churrasco no final de semana”, pensou mais uma vez.

Ia no Mercado Municipal sempre. Sempre nos mesmos boxes. Tomava café no mesmo local. Reclamava dos preços. Passava pelas bancas para conferir promoções. Como elas não vinham e era iminente a necessidade de repor os perecíveis, fazia a feira que daria para uns dez dias. “Mas o preço do filhote não baixou ainda; peixe anda caro”, titubeou.

Parou e pensou sobre o sentido da vida. Pensamentos pacatos que nem todo cidadão faz. Ficou triste. Parou e pensou na sociedade rindo dele, uma pessoa simples que segue as regras sem questionar. “Tolo ! Manipulado ! Trouxa ! Guiado”, foram os termos que lhe vieram a mente falados pelos amigos. Sentiu-se enganado por ser honesto.

Era o cara que vivia com o penteado impecável num cabelo liso fora de moda. Usava lenço na calça jeans e o pente Condor do qual muitos caçoavam. Espécie em extinção !

Lembrou de Geraldo Vandré cantando na Rádio Difusora FM lá por 1981 : “caminhando e cantando, seguindo a canção”. E vamos em frente. Veio-lhe à mente outra canção de dez anos antes, criada por Chico Buarque de Hollanda, a velha “Construção”: “amou daquela vez como se fosse a única (...), por me deixar respirar, por me deixar existir”, sabendo que o amanhã poderia não vir.

Lembrou de Gregor Samsa, a barata gigante criada pro Franz Kafka em “Metamorfose”. Embrião de um mundo intransigente diante de um inseto gigante que precisa ser escondido da sociedade por ser asqueroso. Pensamento que se esvai rapidamente como o fechar das cortinas de um teatro. Assim, entra outro ato.

Nosso pacato amigo evitava falar de futebol, religião e política, temas que considerava controversos e que alongariam uma discussão que era para ser rápida.

Conhecia superficialmente sua vizinhança a qual cumprimentava com um seco bom dia ou boa tarde. Não gostava de intimidade. Avaro de gentilezas, era o próprio “bicho grilo” que espelhava a sociedade. Com uma saciedade incontrolável, devorava-se (a si mesmo) como o objeto de admiração ou repulsa. Ego brigando com seu alterego. O certo é que muitos não o entendiam assim como alguns não entenderam esse texto.

Mas, resumindo, assim era o pacato cidadão. Ninguém o conhecia ou o reconhecia. Era o espelho de todos na sociedade.

(Publicado no Jornal de Piracicaba de 20 de setembro de 2026 e na Tribuna de Piracicaba de 27 de setembro de 2026)

domingo, 20 de setembro de 2026

Das salas de aula para o estrelato


Acima, foto do Jornal de Piracicaba, datada de 13 de maio de 1985, com a inscrição atrás "Donizeti - cantor de caloteira"

Por volta de 1980 ou 1981, o pátio da Escola Estadual Dr. Jorge Coury, na divisa do Centro com a Paulista, era palco de um show inusitado. O diretor do estabelecimento de ensino, José Wander Pársia pegava o microfone e pedia a atenção de todos os alunos no período da manhã. 

O lanche da merenda e a cantina tinham seus trabalhos interrompidos. Pársia chamava a atenção dos alunos para apresentar um garoto que despontava para o estrelato. Todos os alunos no pátio ficavam quietos, respeitavam a autoridade do diretor o qual, após a solicitação, colocava o microfone numa mesa e surgia um garoto com vasta cabeleira e passava a cantar uma moda guarânia ao estilo capela, sem qualquer acompanhamento. 

Ele carregava uma palavra que ficava longos segundo entonando-a: “galopeeeeeeeiiiira” ... Era Donizeti Carmargo da Veiga, então com 10 anos de idade, orgulho do “seu” Pársia que parava a escola a cada apresentação do garoto no rádio ou na TV. “Orgulho em ter alguém com este timbre de voz”, confessou ele certa vez. Donizeti na época e Donizeti Camargo na atualidade apresentou-se no programa do Silvio Santos e venceu no México o Concurso Melhor Voz Infantil da América Latina ganhando de Luis Miguel, vencedor de cinco Grammys latinos. 

Nasceu em Conchas e estudou em Piracicaba e recebeu dois Discos de Ouro por ter vendido mais de 100 mil LPs físicos (O menino Boiadeiro de 1981 e Aí, Amor de 1991). 


Acima, foto da Stik's Promoções Artísticas, data de 29 de janeiro de 1985


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Iconografias

 Edson Rontani Júnior, jornalista e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba


A memória começa a falhar, mas tenho convicção que em meados de 1996 estava para ir ao Guarujá quando, na espera para pegar a balsa em Santos, um vendedor ambulante nos aborda no veículo e, após ler a placa de Piracicaba, puxa papo dizendo que a cidade era conhecida pela caninha. “Ai, tatu ... tatuzinho ... me abre a garrafa e me dá um pouquinho”, entoa tal pessoa que carregava pencas de banana-ouro, aquelas pequeninas.

Uso este preâmbulo para ilustrar como Piracicaba ainda hoje é conhecida no “mundo exterior”, bem além de nossa província. Citei um caso de 30 anos atrás, mas recentemente um prestador de serviços de Araras me pediu uma “caninha de Piracicaba”. Ideia propagada em especial pela Caninha Tatuzinho, da família D’Abronzo, não negando a iniciativa dos Carmignani com a Cavalinho, e outras famílias que fizeram do destilado da cana de açúcar um aperitivo que levou o nome de Piracicaba para os quatro cantos deste Brasil.

Antes, nos anos 1980, era comum ver a Belina pelas ruas com a “pamonha, o puro creme do milho verde, pamonhas de Piracicaba!”. Achava isso surreal até ver outro dia, nas páginas da Folha de São Paulo, o (a) genial Laerte entoando o mote numa de suas tiras. Mais um ícone que foi exportado.

Cada época sua realidade. Ano passado participei de uma solenidade na Câmara de Vereadores de Piracicaba na qual foi homenageada a professora doutora Tsai Siu Mui, do Centro de Energia Nuclear/USP. No seu discurso de agradecimento ela comentou ter sido a primeira chinesa a cursar a USP. Até aí, tudo bem. Curioso foi ouvir dizer que, quando estudante, ela foi candidata a Miss Peixe, uma tradição em voga na cidade nos anos 1950/60. Era o nosso título de Miss Universo!

Tudo isso para num liquidificador botar caninha, peixe, pamonha e de seu suprassumo tirar um extrato que cada cabeça interpretará do jeito que quiser. Haverá condenação, haverá contestação, bate-boca, assim como haverá quem diga “que bonitinho”. Pintado, onça parda, cobrona ou capivara ... A bola da vez é ela ... Conhecida por “Regina” ou perpetuada nos eventos como a “Mona”, a capivara é fruto de um imaginário coletivo internacional, propagado principalmente pelo “Made In China” que busca o Instagram, o Tik Tok, o Shein, o Shoppee e outros como seus expoentes. A capivara é um representante internacional, como centenas de itens que vendem a rodo. É um animal de estimação como cães de gatos – pelo menos em parte da Ásia. Piracicaba se rendeu no início dos anos 2000 com seus “Os capivaras”, tira assinada por Erasmo Spadotto nas páginas do Jornal de Piracicaba, despontando o animal que circulava pelo rio Piracicaba há séculos. Amigável ao ser humano, foi descrito como antas ou pacas nos registros do início do século 1800. Circulavam em especial na área em frente a Fábrica de Tecidos Santa Francisca de Luiz de Queiróz, embrião para as posteriores Artehusina e Boyes.   

Opa! Mas, peralá! A capivara é o vetor da febre maculosa pois abriga o carrapato estrela. É visto como uma praga urbana! Mas quem veio antes? O ovo ou a galinha? Pronto! Debate aberto. Comente o que quiser na sua mídia social e pau na mula!

O certo é que o roedor é visto com muito carinho por muita gente. Traz simpatia por sua calma enquanto a onça parda mete medo na gente.

Capivara ou pintado? A decisão já foi tomada. É o animal “bola de vez”. Quem vai a Águas de São Pedro traz um imã de geladeira com um quati. Quem chega a Laranjal Paulista vê, numa das entradas uma estranhíssima laranja e na outra brinquedos gigantescos. Ser lembrado pelo passado de produção das laranjas ou pelo presente por uma área fabril que representa mais de 40 empresas produtores de plástico e brinquedos?

Modéstia a parte, e muitos saberão porque: prefiro uma estátua de quatro metros do Nhô Quim. E durma-se com um barulho desses ...

(Publicado no Jornal de Piracicaba der 13 de setembro de 2026b e na Tribuna Piracicabana de 19 de setembro de 2026)

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Liberdade tem seu preço

Edson Rontani Júnior, jornalista e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba 

A liberdade tem seu preço, disse alguém. Daí o jovem pergunta, mas independência não é no 4 de julho? Cria-se uma aberração histórica numa época em que existe uma propagação do deadline, browser, offline e outros anglicanismos que tomaram conta de nossa cultura nos últimos anos. Ninguém mais é estraga prazeres, já que a onda é agora é dar spoiler. É a mesma coisa.

Canta-se o Hino Nacional no dia de nossa independência diante do reino de Portugal? Não deveria, já que a data tem hino apropriado, ou seja, o Hino da Independência, aquele que marotamente entoávamos na escola como sendo “Japonês tem quatro filhos” e cada filho rimava com algo que ia do absurdo até ao mais ingênuo como primeiro que era pasteleiro.

Bom. Até aí acabaram com a letra de Evaristo da Veiga que colocou como coautor Dom Pedro I, imperador do Brasil em 1822 quando ocorre a Independência brasileira. Se tinha dom (no bom sentido) para a música, Pedro I nunca deixou isso evidente. Nem Laurentino Gomes mata esta charada.

Lembro-me, lá pelos idos da primeira metade da década de 1970, que éramos obrigados a ficar em pé e cantar um hino cívico toda sexta-feira, antes da aula começar. Isso ocorria na Escola Estadual Barão do Rio Branco, assim como era praxe em tantas outras escolas. Época em que a cara fechada da inspetora de aluno já nos deixava arrepiados pela bronca que poderia vir. Depois, gostoso foi ir a faculdade, no meu caso Unimep campus Centro, e sair no meio da aula sem dar satisfação ou ter que explicar para um inspetor o que um aluno fazia zanzando pelos corredores. Claro que a ideia era ir na Governador aberta às vésperas de datas como o dia das mães ou dia dos namorados. Mas, como escrito anteriormente, a liberdade tem seu preço.

Preço caro para o inconfidente Tiradentes que queria exatamente o que Pedro I fez: queremos a independência ou então que venha a morte! Joaquim José da Silva Xavier foi o bode expiatório que Maria “A Louca” encontrou para suprimir insurreições e manter Portugal no comando do universo ultramarino, especialmente em terras brasileiras. Terra abundante de ouro e materiais que interessavam à coroa portuguesa. Melhor consumir a famosa bagaceira que a cachaça. Ponha-se, então, na cadeia os fabricantes deste derivado da cana de açúcar que quer concorrer com o vinho português e aquilo que pouco conhecemos denominado de bagaceira, aguardente feita de uva. Confesso que comprei uma garrafa desta bebida em São Pedro. Não consegui consumi-la, sendo que seu conteúdo somente serviu para acender o carvão de uma churrasqueira na qual estava uma suculenta picanha.

Piracicaba deixou pouca história de como se encontrava em 1822. Existem fatos. Existem nomes, assim como muitas e muitas pessoas que caíram no esquecimento. Mesmo com 3 mil habitantes, ainda era um vilarejo tomado pelo mato, onde a sociedade acordava com as galinhas e dormia com o escurecer, sem se preocupar com um relógio que lhe ditasse regras.

Cem anos depois surgem festividades para comemorar o centenário do brado de Pedro I às margens do Ipiranga. Lydia Rezende cria o Monumento da Independência que deu nome ao bairro situado na Vila Rezende. A avenida Independência tem seu desenho feito na topografia de Piracicaba. Deve ser um dos maiores logradouros da cidade, começando na rua Governador e terminando em frente a Esalq. Honorato Faustino enclausura uma cápsula do tempo na escola Sud Menucci com mensagens e memórias que deveriam ser lidas cem anos depois, ou seja, 2022.

Chegamos em 2026 comemorando-se o Dia da Independência numa emenda ao final de semana. Esse é mais um preço da liberdade.

(Publicado no Jornal de Piracicaba de 6 de setembro de 2026 e na Tribuna Piracicabana de 12 de setembro de 2026)