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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Ano um

Edson Rontani Júnior, jornalista

 A Estação da Paulista estava triste. Era 20 de março de 2020. Acontecia o primeiro final de semana festivo em louvor a São José, organizado pela paróquia da Paulista. Como era tradição, seria uma festividade cultuada em dois finais de semana. Ocorreu em apenas um final de semana e quase à míngua.

O medo que estava por vir, deixou todos atônitos. Sentíamos este medo à distância, desde dezembro na China e na Europa. Estava avançando para o Brasil. Pouco depois chegaria a Piracicaba. A covid já estava em terra verde e amarela, obrigando-nos ao confinamento na quarentena que completou um ano esta semana.

“Não vou mais à escola, nem ao shopping?”, perguntou o adolescente. Afirmação negativa. Tudo fechado! Restaurantes, comércio ... tudo parou.

Na TV assistíamos ao Papa em orações numa cena nunca antes imaginada, dando indulgência plenária para toda a população mundial. Sozinho caminhava com chuva pelas ruas de Roma. Em paralelo, tanques de guerra eram utilizados para carregar caixões e mais caixões de mortos na Itália pelo sars cov 2.

Mais tempo em casa. Um dia ... dois dias ... Semana após semana ... Incertezas com relação ao dia de amanhã. Medo de ser contaminado e contaminar. Ser o vetor de transmissão. Ser considerado como um “boi” quando tentava-se entender o que era a tal “imunização do rebanho”.

A única solução era trancar-se em casa em pleno outono rigoroso, período em que as doenças respiratórias se propagam com maior facilidade.

Exercícios no lar, pois parques e academias estavam fechadas. As ruas eram locais de insegurança, não relacionada à criminalidade, e sim à atenção sanitária.

“Já viu isso antes, pai?”, perguntou o adolescente. A resposta, mais uma vez, foi negativa, mas uma busca na internet demonstrou que a gripe espanhola também atingiu Piracicaba em 1918, acometendo centenas e tirando a vida de cerca de 60 pessoas.

Tudo passa e isso passará rápido, era o pensamento. A máscara facial tipo cirúrgica, vendida a 9,90, em caixa com 100 unidades, logo após o Carnaval do ano passado, chegou na faixa dos 100 reais ... 150 reais ... “É um exagero !”, alguém deve ter pensado, Isso remeteu às máscaras compradas em 2009 durante a proliferação da gripe suína, as quais acabaram sendo utilizadas de proteção quando aquele precavido foi pintar a casa e protegeu-se ao lixar a massa corrida passada na parede.

De tanto ficar em casa, a cachorrinha de estimação habituou-se a ser a primeira a ir a porta quando o motociclista tocava a buzina, trazendo a refeição pedida por aplicativo. Festas de 50 anos, festas de casamento ... canceladas! Foi um efeito dominó.

É passageiro, pensou de novo aquela pessoa incauta que em junho esperava participar das festas juninas da igreja do bairro. Não houve festa junina. Nem passear no Engenho Central foi possível, pois cancelaram a Paixão de Cristo e a Festa das Nações. Já estava tomando corpo uma mudança social que parecia não acabar. E não acabou.

E o convívio social? Já era difícil prestar atenção durante as aulas na faculdade, lembrou uma pessoa. Assistir aula no quarto, ao lado da cama, ou lado do vídeo game ... Concorrência injusta. Segundo ano longe dos amigos, da paquera da escola. Lembrou a muitos a convivência social noturna de quem estudou na Unimep Centro e toda sexta-feira ia matar a sede com os amigos no Popeye ou na Prosit. Recordação rica que não volta e que alguns deixarão de ter.

Neste um ano de pandemia aprendemos muito. Desconhecemos muito também. O vírus se fortaleceu. Os hospitais de campanha, quando desinstalados, nos deram noção de que tudo estava acabando. Pensamos estar imunes durante o verão, o réveillon e as férias de dezembro e janeiro. Há quem tenha cancelado a rotina para ir a praia nos dias de Carnaval deste ano. E mande-lhe ostentação nas mídias sociais digitais.

Um ano depois a situação está mais crítica. A Semana Santa não terá suas celebrações tradicionais mais uma vez. Cinemas fechados, jogos de futebol suspensos, encontros familiares fora de cogitação. Neurose de tocar em algo e ser contaminado, desde uma publicação impressa até produtos comprados no supermercado.

Um ano se passou. A preocupação não cedeu. Está .... “mais preocupante” ...

(Publicado no Jornal de Piracicaba dia 24 de março de 2021 e na Tribuna Piracicabana dia 26 de março de 2021)

quarta-feira, 24 de março de 2021

Ano dois

 

Edson Rontani Júnior, jornalista

Aquilo que era estatística começou a dar sua cara. Virou nome. Mortes pela covid-19 que eram representadas por gráficos passaram a ser nominados. Numa breve limpeza da minha agenda de telefones, exclui um ... dois ... três... Foram vários amigos que nos deixaram durante a pandemia. As vítimas passaram a se aproximar de nós, deixando saudade eterna motivada pela pandemia que em 2021 entrou em seu segundo ano.

Há um ano atrás escrevi nestas páginas um relato sobre o primeiro ano desta situação que ainda perdura. Em janeiro de 2020 víamos pelos noticiários o sofrimento dos chineses. Uma Itália despedaçada com centenas de mortes. O Papa em sua peregrinação solitária dando sua unção de forma coletiva a um público que não mais saía de casa. Mortos deixados ao chão em países da América Central. Era uma guerra contra um inimigo invisível. Mas tudo parecia muito longe de nós.

O ano de 2021, segundo da pandemia atual, trouxe novidades. O vírus de alastrou mais. Matou mais. Entraves políticos colocaram a atenção ao próximo em segundo lugar. Quem vacina primeiro ? Estado tal ou a nação ? A corrida vacinal provoca controvérsias que muitos brasileiros não entenderam. Na Índia, o Estado incentiva a família a cremar em casa os falecidos por tal temida doença. Variantes, insatisfação com o uso da máscara, filas e drive trhu para vacinação. Vacinação em escala. Opa ! Parece que surgiu uma luz no fim do túnel.

Nunca me esquecerei na proximidade do Carnaval de 2021 (que não houve) uma viagem feita para o oeste do estado. Melhor parar nesta churrascaria de beira de estrada para almoçar. Ou chego ao meu destino e como por lá ? Imperou a segunda vontade. Chegando à uma cidade próxima a Botucatu, deparo-me numa cidade vazia, colapsada pela alta ocupação das UTIs. Fase vermelha. Nem sabia o que era isso pois Piracicaba balançava pela fase amarela e laranja. Aí a forme apertou. Tudo fechado. A sorte é que a farmácia ainda recebia clientes e foi lá que um saco de batata e um isotônico compuseram minha tão esperada refeição naquela ocasião.

Passear deixou de ser um passatempo prazeroso. Não havia onde ir. Tudo fechado. Academias, parques, shoppings ... Enquanto a vacina não avançasse, tudo voltaria ao patamar de 2020. Chegamos aos 600 mil mortos. Em contrapartida, o processo vacinal evoluía de forma exemplar, algo que não ocorria em outros países. Chegaram a comentar que a estrutura do Sistema Único de Saúde é algo que serve de exemplo de eficácia, pois tem uma metodologia pensada nos anos 1980 quando surgiu o SUDS (Sistema Único de Descentralizado de Saúde) e que se vingou nas décadas seguintes. Como disse ... ouvir falar ... Mas louvemos a estes profissionais que aplicaram milhares de doses aos finais de semana, durante feriados, durante a noite.

O segundo semestre de 2021 – ano dois da pandemia – chegou com uma melhoria na qualidade do brasileiro. As festas começaram a ser remarcadas. O jovem sorri para sua amada para renovar a data dos votos conjugais. O aniversário de 50 anos volta a ser replanejado. A cachorrinha ainda continua indo a porta sabendo que o motociclista de aplicativo veio entregar a refeição.

Quando o governo do estado anuncia em março de 2022 que as máscaras poderão ser dispensadas em locais abertos, tivemos um alívio tal qual desafrouxamos o último botão do paletó numa tarde de sexta-feira. Poderemos respirar livremente em alguns locais. Em breve, em todos os locais. A pandemia pode regredir a uma endemia. Talvez em breve o “novo normal” seja deixado de lado e retomemos nossa vida como antes.

Mas, vamos com calma. Tristeza não tem fim, felicidade sim, já dizia o poeta, torcendo para que daqui um ano, eu não volte à estas páginas cronicando sobre o terceiro ano. Saúde a todos !

domingo, 14 de março de 2021

Rumo ao cinquentenário

 Edson Rontani Júnior, jornalista e diretor da Academia Piracicabana de Letras

 

Cleo Monteiro Lobato encontrou uma forma curiosa para mostrar aos Estados Unidos as obras de seu avô, o icônico Monteiro Lobato. Ao traduzir nomes e conceitos de suas obras, não encontrava termos similares na língua anglo-saxã. Imagine apresentar a Little Nose (Narizinho) ou personagens da mitologia brasileira como o Saci Pererê e a Cuca. Diríamos, assim, que não “daria liga” para uma publicação comercial. Aproveitando a onda, Cleo adaptou linguagens dos anos 1920 e 1930 para aquilo que a atualidade considera politicamente correto, para não ferir ninguém.

Faço este enunciado para lembrar do desafio a cultura piracicabana ao entrarmos no quinquagésimo ano de criação da Academia Piracicabana de Letras, cujos 49 anos são lembrados neste 11 de março. A partir desta data, a entidade passa a estabelecer metas para seu cinquentenário, relendo e adaptando para a atualidade o ideal de seu criador, João Charini, quando, em 1972, na antiga sede da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, fundou a Academia seguindo moldes de entidades similares existentes em capitais e vários outros municípios.

A Academia Piracicabana de Letras contou com a presidência de Chiarini de 1972 a 1988, quando ele faleceu e cujo mandato foi completado por seu vice Haldumont Nobre Ferraz. Em seguida vieram Miguel Ângelo Ciavarelli Nogueira dos Santos, José Henrique Carvalho Cocenza, Maria Helena Aguiar Corazza, Gustavo Jacques Dias Alvim e atualmente Vitor Pires Vencovsky. Em todo este tempo, a entidade viveu sempre de dotação orçamentária própria, com a colaboração de seus membros e doações de verdadeiros mecenas que acreditam na cultura como transformadora social e educacional. Essa solidariedade provoca, inclusive, a publicação semestral da Revista da Academia, coletânea poesias e artigos de seus componentes. 

A Academia segue por base a Academia Francesa de Letras. É ocupada por 40 membros considerados os “imortais”, cada qual representando um patrono que no passado se dedicou à Piracicaba. Possui membros correspondentes os quais não ocupam cadeira. Na fundação, a Academia tinha outras categorias de “associados”, entre os quaisestavam personalidades como JK – o presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira – e o escritor Jorge Amado que, junto a Zélia Gattai, era padrinho de casamento de Chiarini.

Seus membros são escolhidos através de edital e é necessário ter contribuído para a literatura. Possui hoje profissionais de várias categorias como contadores de histórias, poetas, advogados, médicos, jornalistas, cirurgiões-dentistas, apenas para citar alguns.

Os 50 anos, a serem celebrados de forma presencial em março de 2022 – até lá esperamos ter dominado o coronavírus e a vacinação –, nos engajando em preservar a literatura, adaptar-nos aos novos formatos de leitura como e-books e outras mídias digitais, e, o mais importante, preservar a cultura piracicabana, nossa verdadeira joia imaterial. Papel importante é formar novos escritores e amantes das letras. Após longo tempo de interrupção de aulas presenciais, foram suspensas atividades junto aos alunos, mas o distanciamento social e confinamento proporcionaram o aumento de acesso on line de produções editoriais e ao streaming cultural.

Como fez a bisneta de Lobato, o reinventar-se constante é uma necessidade diária. E para isso, boa vontade e dedicação não faltam.

Para finalizar, parabéns ao empenho da diretoria atual da Academia de Letras, liderada pelo professor Vitor Vencovsky, composta ainda por Aracy Ferrari, Carmen Pilotto, Cássio Negri, Ivana Negri e Waldemar Romano. Nós, escritores, somos muito gratos a vocês pela dedicação nestes três últimos anos.


(Artigo publicado no Jornal de Piracicaba dia 10/03/2021 e na Tribuna Piracicabana dia 12/03/2021)

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Cultura com rótulos

Edson Rontani Júnior, jornalista

Houve uma época em que era como sentir perfume... Abrir um LP e exalar o cheiro de sua capa, ou pegar uma revista e aproximá-la do nariz para que o olfato fosse tentado pelo seu cheiro de tinta ... cheiro de novo. Essa época é desconhecida para alguns. Para os conhecedores, é pura nostalgia!

O livro impresso, a música gravada em cassete ou LP, o filme em Super-8 ou VHS, entre outros itens, formavam o supra sumo da cultura com rótulos. Para se ter noção, você colocava o bolachão numa pick-up (toca-discos ou vitrola como diriam os mais antigos) e, num rito supremo, viajava com a música, acompanhava as letras do encarte e se inebriava com as fotos da capas (algumas, inclusive, com certo apelo que mexiam com a libido masculina). 

Foi uma época de cultura com rótulo. Isso mesmo. Como o rótulo que identifica o refrigerante de cola ou a caixa do tênis de marca. O mundo digital acabou com isso. Consumimos livros com capas simples, sem trabalho artístico, com títulos muitas vezes apelativos e conteúdo ínfimo e no formato de e-book. As músicas em streaming ou em MP3 não trazem tais rótulos. Para conhecer o clip ou ler mais sobre seu intérprete, necessitamos de buscadores ou sites de vídeo. Antes, até os anos 1990, ouvia-se a música no rádio, comprava-se a mídia e, nos jornais, revistas e TV, tínhamos o complemento visual do artista. O show midiático diante do mundo de estrelas, mudou muito. Ganhar um disco de platina ou de ouro seguem formatos que caíram em desuso. Não existe mais a “parada de sucesso” com as músicas mais tocadas nas emissoras. Democratizou-se o acesso à música criando-se uma generalização assustadora com opções e formas de acessá-las. Por um outro lado, deixamos de ser reféns de emissoras de tv e rádio que nos injetavam músicas a bel prazer. Nossa única opção era mudar o dial.

Os discos de acetato, conhecidos por 78 rotações, traziam poucas músicas. Uma de cada lado no início. Depois passaram a ter mais. No Brasil, a RCA Victor lança a Victrola, nome comercial para um aparelho que tocava discos. O produto era a música nele gravado e as capas eram simples, impressas em papel jornal. Com o tempo, passaram a receber desenhos e logotipos das gravadoras. Quando o LP surgiu, nos anos 1950, passou-se a ter mais músicas (5 a 6 em cada lado) e a concepção artística mudou com manifestações artísticas entre desenho e fotos em ambos os lados de sua capa. Era comum ter um prefácio na contra capa escrito por alguém de renome. Tivemos um fator de proximidade entre o intérprete e seu público, seus fãs. Quantas jovens não compravam os discos apenas para ter a foto de seu ídolo em papel acartonado em sua estante ...

Na década de 1960, a Phillips cria a fita cassete, tornando portátil o som em veículos e em gravadores de mão. Era uma sensação que cheirava à ostentação. No início dos anos 1980 surge o walkman criado pela Sony. Uma forma individual de ouvir música em fita cassete e o aparelho podia ser acoplado na cintura da calça. 

Em 1981 surge o CD, compact disc. Gravado a laser. Piracicaba foi uma das primeiras produtoras do CD no Brasil, através da Phillips que por aqui se instala na Unileste, partindo em seguida para a Zona Franca de Manaus devido aos incentivos fiscais.

No final dos anos 1990, o Napster cria uma briga comercial envolvendo os direitos autorais, afinal era possível compartilhar pela internet músicas sem autorização alguma. O mercado tenta regular isso com o iPod, tocador digital que foi o princípio dos aplicativos de streaming. Com eles, os rótulos passam a ser excluídos do currículo do artista. Apenas nome e canção são apresentados. Antes, líamos até o seu tempo de execução e os respetivos autores da canção e da letra.

Para se ter noção o quanto importante foram os rótulos das músicas, há de se lembrar que existem livros que catalogaram as 100 melhores capas de LPs divididos por década.

E ainda para comprovar a mudança comportamental que tivemos com as capas, lembra-se daquela língua berrantemente vermelha? Pois, é. Dela poucos sabem quem foi seu autor, mas muitos sabem do que se trata. E, alguns, vão lembrar que foi o ícone artístico que ligou um rótulo ao grupo Rolling Stones. Bons tempos !

(Publicado no Jornal de Piracicaba em 24 de fevereiro de 2021)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

TV Piracicaba – canal 26: a primeira emissora do interior paulista

 Por Marcelo Bandeira

Você sabia que Piracicaba foi uma das cidades que possuiu a primeira emissora de televisão do interior do Estado de São Paulo? O pioneirismo se deu em 1953, quando a família Guidotti, por intermédio de João, José, Rubens e Ronald, adquiriu a concessão do canal 26 UHF, três anos após a inauguração da TV Difusora de São Paulo (PRF-3), ou simplesmente, TV Tupi, em 18 de setembro de 1950 pelo precursor Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. O estúdio foi montado na rua São José, 835, e a torre de transmissão erguida na rua Fernando Lopes, no bairro Pauliceia, onde funcionou por muito tempo a torre de transmissão da rádio “A Voz Agrícola do Brasil AM (580 KHz)”, hoje “Rádio Jovem Pan News AM (910 KHz)”.  Esse local foi sede, também, da Rádio Alvorada FM (97,1 MHz), inaugurada em 1982, hoje Rádio 97 FM, emissora de frequência modulada arrendada atualmente à Igreja Universal do Reino de Deus. Na década de 1990 essa torre de transmissão, que abrigou o sistema irradiante de emissoras de rádio e TV, foi desmontada para dar lugar ao residencial Guaracy, um conjunto de prédios construído no local.

Mas, voltando para a televisão, a TV Piracicaba – canal 26, apresentava na sua grade de programação, seriados e filmes do famoso canal 07 (TV Record de São Paulo). Os saudosos Ary Pedroso e Rubens Lemaire de Moraes eram os apresentadores de algumas das atrações veiculadas, além da participação do, também, radialista Idalício Castelani, que posteriormente viria a apresentar, na Difusora FM (102,3 MHz), os inesquecíveis programas “Porque Hoje é Domingo” e “Sertanejo Cinco Estrelas”. Integraram a equipe da pioneira: Ariovaldo Albuquerque e Arildo José como câmeras-man, João Guardia, Eduardo Paparotto Filho e Silvio Takara nas funções de técnico de manutenção, além de outros nomes da imprensa e dos meios de comunicação.

Os jogos do XV de Novembro e os bailes do Clube Coronel Barbosa, à época os mais requintados da cidade, também eram destaques na telinha do canal 26. A queda do edifício Comurba, ocorrida em 1964, na praça José Bonifácio, foi alvo de cobertura da TV Piracicaba, que operava das 13h30 às 17h e, à noite, das 22h às 2h.

Fim

A primeira emissora de televisão piracicabana funcionou de 1953 a 1972, porém o custo de manutenção dos transformadores e transmissores era alto e não havia patrocinadores interessados em anunciar, muito menos um departamento comercial formado. Os profissionais que se dedicavam à emissora trabalhavam como voluntários, ou quando não, pagavam para estar na TV. Diante dos problemas financeiros e a falta de apoiadores, a família Guidotti decidiu encerrar as transmissões, na década de 1970, deixando um vazio em Piracicaba.

O município só passou a contar, novamente, com uma emissora de televisão genuína na década de 1990, quando foi inaugurada a TV Beira Rio, tendo como sede algumas salas de um edifício comercial localizado nas imediações do Shopping Piracicaba. Atualmente a emissora está no ar na frequência digital de 26.1 UHF e com o nome de TV Ativa.

A última emissora a entrar no ar em sinal aberto em Piracicaba foi a TV Câmara – emissora da Câmara de Vereadores de Piracicaba. O início, nos anos 2000, se deu por meio de transmissão a cabo, ou seja, somente quem tinha um pacote de TV por assinatura da NET poderia ter acesso ao conteúdo da TV Legislativa. Em 2013 a Agência Nacional de Telecomunicações autorizou para o munícipio a concessão do canal 60.4 UHF à TV Câmara, que atualmente opera na frequência 11.3 UHF.

A TV Jornal de Limeira (SP) (40.1 UHF) e a TV Opinião de Araras (SP) (41.1 UHF) também têm retransmissoras em Piracicaba, sendo que apresentam em suas programações algumas notícias do munícipio.

Atualizado em 12/01/2021.

Marcelo Bandeira é jornalista.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Limiar de uma nova década

 

Por Edson Rontani Júnior, jornalista

 

Alguns irão se deter na inútil discussão: a década começa no ano zero ou ano um ? Vamos seguir por princípio que a década de 20, do atual século, começou em primeiro de janeiro passado e se estende até o dia 31 de dezembro de 2030. Mas, este não é o propósito deste artigo. Seu objetivo é lembrar que estamos entrando numa década de definições, principalmente diante da pandemia do coronavírus que nos desacomodou e está definindo o que é o “novo normal”.

Neste novo cenário, não podemos esquecer que Piracicaba terá muito a se movimentar ao longo desta década.

Um destes pontos é a comemoração dos 200 anos da independência do Brasil diante do reino de Portugal, em 2022. Lembrado em 7 de setembro ainda é motivo de dúvidas quando jornalistas vão às ruas realizar enquetes populares e torna-se evidente a confusão entre Dom Pedro Primeiro e Deodoro da Fonseca e o real motivo de comemoração da data.

Foi em lembrança pelo centenário da independência que Lídia de Rezende construiu o Marco em “oblação” a Dom Pedro, em terras do Engenho Central que depois cedeu espaço para a avenida Armando Césare Dedini.

Em 1922, o centenário da Independência parou a cidade. O Brasil ainda respirava um ar inebriante da República, instaurada 33 anos e já se deparava com paulistas e mineiros na presidência, no que a história nos ensina como sendo a “política do café com leite”. O poder público criou diversas solenidades para lembrar a data, algumas das quais podem ser vistas na rede através de um filme rodado na época e restaurado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. Produção esta feita pela Independencia Film para a Exposição Nacional do governo federal.

Foi no fervor das comemorações que a Companhia Paulista de Estradas de Ferro revolucionou uma nova área que surgia em Piracicaba, conhecida até então pela Chácara Nazareth e pela Igreja dos Frades Capucinhos. Também em 2022 comemora-se o centenário da instalação da Estação de Trem da Paulista, que, inclusive denominou o novo bairro que surgiu além da avenida doutor Paulo de Moraes. A via férrea não existe mais. O espaço foi palco do Varejão da Paulista, de circos que por ali se instalaram e também virou o Sambódromo da cidade no final da década de 1990. Hoje é um parque de lazer e ocupa um centro cultural exemplar. O terminal ferroviário era promessa do início do século, prevendo que estivesse pronto em 1902. Funcionava como o término da Estrada de Ferro da Paulista. Talvez por isso, por anos, Piracicaba foi considerada “fim de linha”, motivado por que os trens e seus vagões encerravam sua viagem em área ao lado de onde por anos encontrou-se a Metalúrgica Alvarco.

No próximo ano, comemora-se o cinquentenário da Academia Piracicabana de Letras, criada em 8 de março de 1972. O ideal de João Chiarini permanece ativo, buscando novos leitores e escritores num período de domínio da escrita e propagação digitais.

Também nos aproximamos do cinquentenário do Salão de Humor de Piracicaba, criado em 1974 e que, em 1976 tornou-se internacional, trazendo para nossa terrinha, pela primeira vez, um artista internacional: Sergio Aragonés, hoje com 83 anos, espanhol de nascimento, mas criado no México, de onde despachou nos anos 1960 e 1970 suas impagáveis piadas para as franquias da revista Mad publicada em todo o planeta. A ideia que surgiu em O Diário para tirar a mordaça criada pela livre expressão da imprensa, expôs Piracicaba ao longo dos últimos 50 anos de uma forma exemplar.

Poderiam ser enunciados aqui todas as datas festivas futuras desta década. Não existe este propósito. O objetivo é chamar a atenção à sociedade em geral para algumas datas consideradas como deveras importantes para nossa querida “Noiva da Colina”. E que não caiam no esquecimento ...

Publicado no Jornal de Piracicaba em 13/01/2021 e na Tribuna Piracicabana em 16/01/2021.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Estação da Ituana no Bairro Alto


É anunciada em 1877 nos jornais a inauguração da estação de Constituição, marcada para o dia 20 de fevereiro (A Provincia de S. Paulo, 18/2/1877)


78 pessoas estavam trabalhando no aplainamento do terreno para feitura da estação da estrada de ferro Ituana. O terreno, localizado no Bairro Alto, foi cedido pelo sr. Carlos Navarécio, gratuitamente, mede 16 x 20 braças na Rua Direita e 20 x 86 na Rua Quitanda

do jornal Piracicaba, Folha Imparcial de 3/12/1876

Descrição contida no livro "Os Pioneiros", de Irineu Travaglia, 1976, Gráfica Portinho Cavalcanti