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domingo, 24 de maio de 2026

Memórias recentes

Edson Rontani Júnior, jornalista e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba 


A vida é feita de memórias. Muitas vezes, é melhor colocar essas memórias no papel para evitar lapsos ou esquecimentos. Algumas delas são curiosas e engraçadas, valendo compartilha-las.

Vista longa - A memória pode falhar, mas talvez em 1994, um famoso político veio a Piracicaba apoiar candidatos que concorriam a vagas para deputado estadual e deputado federal. Foi recebido pela comitiva no estacionamento do Zilliat Shopping Center, onde hoje é o estacionamento do Supermercado Jau Serve. Passaria pelo interior do Shopping e na sequência percorreria o Mercado Municipal para se expor diante dos comerciantes e consumidores.

Isso tudo acabou ocorrendo. O fato é: quando chegou ao estacionamento, possivelmente num Comodoro cor preta, a comitiva não soube onde enfiar a cara. Estava em construção o Edifício Central Parque vizinho de parede com o Zilliat.

A obra tinha diversos trabalhadores que davam a forma final do prédio. Eis que lá do alto, ouve-se um uníssono “LADRÃO”!!! Um simples trabalhador da construção civil reconheceu o político e soltou esta pérola. Membros da comitiva se contiveram seriamente para não estragar a recepção. Mas que depois foi motivo de discussão nas rodinhas, isso ninguém pode negar.

Discussão – Novembro de 1996. O local era a escadaria do Ginásio Municipal de Esportes Waldemar Blatkauskas, ao lado do Estádio Barão da Serra Negra. Horário: por volta das 18h40. Ocorria a apuração das eleições municipais que demorava dias para ser finalizada. Emissoras de rádio marcavam presença destinando sua programação para a apuração. A contagem dos votos era manual e muitas vezes exigia uma revisão para referendar tal urna ou seção de votação.

A equipe da Rádio Alvorada estava a postos até que chega um senhor e pergunta: “Quem é o responsável por isso aqui? Aquele indivíduo – apontando o locutor de plantão – está acabando publicamente com minha imagem”. O locutor que estava ao vivo e percebendo a intenção, talvez por serem desafetos, desliga o microfone e começa a bradar: “falo mesmo sobre você com toda categoria que lhe é pertinente”. Ambos chegam próximos e passam a discutir até que o primeiro arranca da mão do locutor um microfone pesado, dobrável, estilo “boca de jacaré”, e atira-o na cabeça do locutor. Este, que usava brilhantina sofre o impacto e, por mais irônico que pareça, parte de seu cabelo vem à frente como uma ave ouriçada tipo cacatua quando busca briga. Ao jogar o microfone, o ofendido o desligou do cabeamento de transmissão deixando a emissora num silêncio sepulcral.

De longe, via-se cerca de seis policiais militares em célere caminhar direcionando-se à balbúrdia. Quase todos foram para a delegacia explicar o ocorrido. Os dois senhores do embate viram-se um de costa para o outro seguem sua vida. Minutos após a emissora retorna ao ar com “A Voz do Brasil”.

Fim da surpresa - Era a Festa das Nações por volta de 1993 ou 1994. O evento ocorria em dois finais de semana e apresentava mega shows que atraiam multidões. Numa destas noites iria se apresentar Fábio Jr., renomado ator e músico, consagrado com milhares de discos vendidos.

A multidão de fãs se aglomerava próximo ao camarim do palco que ficava à esquerda da plateia. Era o único caminho para entrar no palco e realizar sua apresentação. Tietes aos montes.

Eis que chegam duas viaturas da Polícia Militar. A primeira estaciona e saem seus ocupantes. Na segunda, uma pessoa acenando as mãos chama a atenção das fãs que gritam “é o Fábio ... lindo, bonito, gostosão, nós viemos aqui para te ver”.

A viatura para, sai um homem coberto por um paletó. Ao tirar o paletó, um policial militar. Fábio Júnior estava no primeiro carro e entrou na surdina. Frustação total ... Todos tiveram que se contentar em vê-lo apenas no palco acima da plateia.

(Publicado no Jornal de Piracicaba de 24 de maio de 2026)

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