domingo, 4 de abril de 2021
quarta-feira, 24 de março de 2021
Ano dois
Edson Rontani Júnior, jornalista
Aquilo que era estatística começou a dar sua cara. Virou nome. Mortes pela covid-19 que eram representadas por gráficos passaram a ser nominados. Numa breve limpeza da minha agenda de telefones, exclui um ... dois ... três... Foram vários amigos que nos deixaram durante a pandemia. As vítimas passaram a se aproximar de nós, deixando saudade eterna motivada pela pandemia que em 2021 entrou em seu segundo ano.
Há
um ano atrás escrevi nestas páginas um relato sobre o primeiro ano desta
situação que ainda perdura. Em janeiro de 2020 víamos pelos noticiários o
sofrimento dos chineses. Uma Itália despedaçada com centenas de mortes. O Papa
em sua peregrinação solitária dando sua unção de forma coletiva a um público
que não mais saía de casa. Mortos deixados ao chão em países da América
Central. Era uma guerra contra um inimigo invisível. Mas tudo parecia muito
longe de nós.
O
ano de 2021, segundo da pandemia atual, trouxe novidades. O vírus de alastrou
mais. Matou mais. Entraves políticos colocaram a atenção ao próximo em segundo
lugar. Quem vacina primeiro ? Estado tal ou a nação ? A corrida vacinal provoca
controvérsias que muitos brasileiros não entenderam. Na Índia, o Estado
incentiva a família a cremar em casa os falecidos por tal temida doença.
Variantes, insatisfação com o uso da máscara, filas e drive trhu para
vacinação. Vacinação em escala. Opa ! Parece que surgiu uma luz no fim do
túnel.
Nunca
me esquecerei na proximidade do Carnaval de 2021 (que não houve) uma viagem
feita para o oeste do estado. Melhor parar nesta churrascaria de beira de
estrada para almoçar. Ou chego ao meu destino e como por lá ? Imperou a segunda
vontade. Chegando à uma cidade próxima a Botucatu, deparo-me numa cidade vazia,
colapsada pela alta ocupação das UTIs. Fase vermelha. Nem sabia o que era isso
pois Piracicaba balançava pela fase amarela e laranja. Aí a forme apertou. Tudo
fechado. A sorte é que a farmácia ainda recebia clientes e foi lá que um saco
de batata e um isotônico compuseram minha tão esperada refeição naquela ocasião.
Passear
deixou de ser um passatempo prazeroso. Não havia onde ir. Tudo fechado.
Academias, parques, shoppings ... Enquanto a vacina não avançasse, tudo
voltaria ao patamar de 2020. Chegamos aos 600 mil mortos. Em contrapartida, o
processo vacinal evoluía de forma exemplar, algo que não ocorria em outros
países. Chegaram a comentar que a estrutura do Sistema Único de Saúde é algo
que serve de exemplo de eficácia, pois tem uma metodologia pensada nos anos
1980 quando surgiu o SUDS (Sistema Único de Descentralizado de Saúde) e que se
vingou nas décadas seguintes. Como disse ... ouvir falar ... Mas louvemos a
estes profissionais que aplicaram milhares de doses aos finais de semana,
durante feriados, durante a noite.
O
segundo semestre de 2021 – ano dois da pandemia – chegou com uma melhoria na
qualidade do brasileiro. As festas começaram a ser remarcadas. O jovem sorri
para sua amada para renovar a data dos votos conjugais. O aniversário de 50
anos volta a ser replanejado. A cachorrinha ainda continua indo a porta sabendo
que o motociclista de aplicativo veio entregar a refeição.
Quando
o governo do estado anuncia em março de 2022 que as máscaras poderão ser
dispensadas em locais abertos, tivemos um alívio tal qual desafrouxamos o
último botão do paletó numa tarde de sexta-feira. Poderemos respirar livremente
em alguns locais. Em breve, em todos os locais. A pandemia pode regredir a uma
endemia. Talvez em breve o “novo normal” seja deixado de lado e retomemos nossa
vida como antes.
Mas,
vamos com calma. Tristeza não tem fim, felicidade sim, já dizia o poeta,
torcendo para que daqui um ano, eu não volte à estas páginas cronicando sobre o
terceiro ano. Saúde a todos !
domingo, 14 de março de 2021
Rumo ao cinquentenário
Edson Rontani Júnior, jornalista e diretor da Academia Piracicabana de Letras
Cleo
Monteiro Lobato encontrou uma forma curiosa para mostrar aos Estados Unidos as
obras de seu avô, o icônico Monteiro Lobato. Ao traduzir nomes e conceitos de
suas obras, não encontrava termos similares na língua anglo-saxã. Imagine
apresentar a Little Nose (Narizinho) ou personagens da mitologia brasileira
como o Saci Pererê e a Cuca. Diríamos, assim, que não “daria liga” para uma
publicação comercial. Aproveitando a onda, Cleo adaptou linguagens dos anos
1920 e 1930 para aquilo que a atualidade considera politicamente correto, para
não ferir ninguém.
Faço
este enunciado para lembrar do desafio a cultura piracicabana ao entrarmos no
quinquagésimo ano de criação da Academia Piracicabana de Letras, cujos 49 anos
são lembrados neste 11 de março. A partir desta data, a entidade passa a
estabelecer metas para seu cinquentenário, relendo e adaptando para a
atualidade o ideal de seu criador, João Charini, quando, em 1972, na antiga sede
da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, fundou a Academia seguindo moldes de
entidades similares existentes em capitais e vários outros municípios.
A
Academia Piracicabana de Letras contou com a presidência de Chiarini de 1972 a
1988, quando ele faleceu e cujo mandato foi completado por seu vice Haldumont
Nobre Ferraz. Em seguida vieram Miguel Ângelo Ciavarelli Nogueira dos Santos,
José Henrique Carvalho Cocenza, Maria Helena Aguiar Corazza, Gustavo Jacques
Dias Alvim e atualmente Vitor Pires Vencovsky. Em todo este tempo, a entidade
viveu sempre de dotação orçamentária própria, com a colaboração de seus membros
e doações de verdadeiros mecenas que acreditam na cultura como transformadora
social e educacional. Essa solidariedade provoca, inclusive, a publicação
semestral da Revista da Academia, coletânea poesias e artigos de seus
componentes.
A
Academia segue por base a Academia Francesa de Letras. É ocupada por 40 membros
considerados os “imortais”, cada qual representando um patrono que no passado
se dedicou à Piracicaba. Possui membros correspondentes os quais não ocupam
cadeira. Na fundação, a Academia tinha outras categorias de “associados”, entre
os quaisestavam personalidades como JK – o presidente Juscelino Kubitscheck de
Oliveira – e o escritor Jorge Amado que, junto a Zélia Gattai, era padrinho de
casamento de Chiarini.
Seus
membros são escolhidos através de edital e é necessário ter contribuído para a
literatura. Possui hoje profissionais de várias categorias como contadores de
histórias, poetas, advogados, médicos, jornalistas, cirurgiões-dentistas,
apenas para citar alguns.
Os
50 anos, a serem celebrados de forma presencial em março de 2022 – até lá
esperamos ter dominado o coronavírus e a vacinação –, nos engajando em
preservar a literatura, adaptar-nos aos novos formatos de leitura como e-books
e outras mídias digitais, e, o mais importante, preservar a cultura
piracicabana, nossa verdadeira joia imaterial. Papel importante é formar novos
escritores e amantes das letras. Após longo tempo de interrupção de aulas
presenciais, foram suspensas atividades junto aos alunos, mas o distanciamento
social e confinamento proporcionaram o aumento de acesso on line de produções
editoriais e ao streaming cultural.
Como
fez a bisneta de Lobato, o reinventar-se constante é uma necessidade diária. E
para isso, boa vontade e dedicação não faltam.
Para
finalizar, parabéns ao empenho da diretoria atual da Academia de Letras,
liderada pelo professor Vitor Vencovsky, composta ainda por Aracy Ferrari,
Carmen Pilotto, Cássio Negri, Ivana Negri e Waldemar Romano. Nós, escritores,
somos muito gratos a vocês pela dedicação nestes três últimos anos.
(Artigo publicado no Jornal de Piracicaba dia 10/03/2021 e na Tribuna Piracicabana dia 12/03/2021)
domingo, 28 de fevereiro de 2021
Cultura com rótulos
Edson Rontani Júnior, jornalista
Houve uma época em que era como sentir perfume... Abrir um LP e exalar o cheiro de sua capa, ou pegar uma revista e aproximá-la do nariz para que o olfato fosse tentado pelo seu cheiro de tinta ... cheiro de novo. Essa época é desconhecida para alguns. Para os conhecedores, é pura nostalgia!
O livro impresso, a música gravada em cassete ou LP, o filme em Super-8 ou VHS, entre outros itens, formavam o supra sumo da cultura com rótulos. Para se ter noção, você colocava o bolachão numa pick-up (toca-discos ou vitrola como diriam os mais antigos) e, num rito supremo, viajava com a música, acompanhava as letras do encarte e se inebriava com as fotos da capas (algumas, inclusive, com certo apelo que mexiam com a libido masculina).
Foi uma época de cultura com rótulo. Isso mesmo. Como o rótulo que identifica o refrigerante de cola ou a caixa do tênis de marca. O mundo digital acabou com isso. Consumimos livros com capas simples, sem trabalho artístico, com títulos muitas vezes apelativos e conteúdo ínfimo e no formato de e-book. As músicas em streaming ou em MP3 não trazem tais rótulos. Para conhecer o clip ou ler mais sobre seu intérprete, necessitamos de buscadores ou sites de vídeo. Antes, até os anos 1990, ouvia-se a música no rádio, comprava-se a mídia e, nos jornais, revistas e TV, tínhamos o complemento visual do artista. O show midiático diante do mundo de estrelas, mudou muito. Ganhar um disco de platina ou de ouro seguem formatos que caíram em desuso. Não existe mais a “parada de sucesso” com as músicas mais tocadas nas emissoras. Democratizou-se o acesso à música criando-se uma generalização assustadora com opções e formas de acessá-las. Por um outro lado, deixamos de ser reféns de emissoras de tv e rádio que nos injetavam músicas a bel prazer. Nossa única opção era mudar o dial.
Os discos de acetato, conhecidos por 78 rotações, traziam poucas músicas. Uma de cada lado no início. Depois passaram a ter mais. No Brasil, a RCA Victor lança a Victrola, nome comercial para um aparelho que tocava discos. O produto era a música nele gravado e as capas eram simples, impressas em papel jornal. Com o tempo, passaram a receber desenhos e logotipos das gravadoras. Quando o LP surgiu, nos anos 1950, passou-se a ter mais músicas (5 a 6 em cada lado) e a concepção artística mudou com manifestações artísticas entre desenho e fotos em ambos os lados de sua capa. Era comum ter um prefácio na contra capa escrito por alguém de renome. Tivemos um fator de proximidade entre o intérprete e seu público, seus fãs. Quantas jovens não compravam os discos apenas para ter a foto de seu ídolo em papel acartonado em sua estante ...
Na década de 1960, a Phillips cria a fita cassete, tornando portátil o som em veículos e em gravadores de mão. Era uma sensação que cheirava à ostentação. No início dos anos 1980 surge o walkman criado pela Sony. Uma forma individual de ouvir música em fita cassete e o aparelho podia ser acoplado na cintura da calça.
Em 1981 surge o CD, compact disc. Gravado a laser. Piracicaba foi uma das primeiras produtoras do CD no Brasil, através da Phillips que por aqui se instala na Unileste, partindo em seguida para a Zona Franca de Manaus devido aos incentivos fiscais.
No final dos anos 1990, o Napster cria uma briga comercial envolvendo os direitos autorais, afinal era possível compartilhar pela internet músicas sem autorização alguma. O mercado tenta regular isso com o iPod, tocador digital que foi o princípio dos aplicativos de streaming. Com eles, os rótulos passam a ser excluídos do currículo do artista. Apenas nome e canção são apresentados. Antes, líamos até o seu tempo de execução e os respetivos autores da canção e da letra.
Para se ter noção o quanto importante foram os rótulos das músicas, há de se lembrar que existem livros que catalogaram as 100 melhores capas de LPs divididos por década.
E ainda para comprovar a mudança comportamental que tivemos com as capas, lembra-se daquela língua berrantemente vermelha? Pois, é. Dela poucos sabem quem foi seu autor, mas muitos sabem do que se trata. E, alguns, vão lembrar que foi o ícone artístico que ligou um rótulo ao grupo Rolling Stones. Bons tempos !
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
TV Piracicaba – canal 26: a primeira emissora do interior paulista
Por Marcelo Bandeira
Você sabia que Piracicaba foi uma das cidades que possuiu a primeira emissora de televisão do interior do Estado de São Paulo? O pioneirismo se deu em 1953, quando a família Guidotti, por intermédio de João, José, Rubens e Ronald, adquiriu a concessão do canal 26 UHF, três anos após a inauguração da TV Difusora de São Paulo (PRF-3), ou simplesmente, TV Tupi, em 18 de setembro de 1950 pelo precursor Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. O estúdio foi montado na rua São José, 835, e a torre de transmissão erguida na rua Fernando Lopes, no bairro Pauliceia, onde funcionou por muito tempo a torre de transmissão da rádio “A Voz Agrícola do Brasil AM (580 KHz)”, hoje “Rádio Jovem Pan News AM (910 KHz)”. Esse local foi sede, também, da Rádio Alvorada FM (97,1 MHz), inaugurada em 1982, hoje Rádio 97 FM, emissora de frequência modulada arrendada atualmente à Igreja Universal do Reino de Deus. Na década de 1990 essa torre de transmissão, que abrigou o sistema irradiante de emissoras de rádio e TV, foi desmontada para dar lugar ao residencial Guaracy, um conjunto de prédios construído no local.
Mas, voltando para a televisão, a TV Piracicaba – canal 26, apresentava na sua grade de programação, seriados e filmes do famoso canal 07 (TV Record de São Paulo). Os saudosos Ary Pedroso e Rubens Lemaire de Moraes eram os apresentadores de algumas das atrações veiculadas, além da participação do, também, radialista Idalício Castelani, que posteriormente viria a apresentar, na Difusora FM (102,3 MHz), os inesquecíveis programas “Porque Hoje é Domingo” e “Sertanejo Cinco Estrelas”. Integraram a equipe da pioneira: Ariovaldo Albuquerque e Arildo José como câmeras-man, João Guardia, Eduardo Paparotto Filho e Silvio Takara nas funções de técnico de manutenção, além de outros nomes da imprensa e dos meios de comunicação.
Os jogos do XV de Novembro e os bailes do Clube Coronel Barbosa, à época os mais requintados da cidade, também eram destaques na telinha do canal 26. A queda do edifício Comurba, ocorrida em 1964, na praça José Bonifácio, foi alvo de cobertura da TV Piracicaba, que operava das 13h30 às 17h e, à noite, das 22h às 2h.
Fim
A primeira emissora de televisão piracicabana funcionou de 1953 a 1972, porém o custo de manutenção dos transformadores e transmissores era alto e não havia patrocinadores interessados em anunciar, muito menos um departamento comercial formado. Os profissionais que se dedicavam à emissora trabalhavam como voluntários, ou quando não, pagavam para estar na TV. Diante dos problemas financeiros e a falta de apoiadores, a família Guidotti decidiu encerrar as transmissões, na década de 1970, deixando um vazio em Piracicaba.
O município só passou a contar, novamente, com uma emissora de televisão genuína na década de 1990, quando foi inaugurada a TV Beira Rio, tendo como sede algumas salas de um edifício comercial localizado nas imediações do Shopping Piracicaba. Atualmente a emissora está no ar na frequência digital de 26.1 UHF e com o nome de TV Ativa.
A última emissora a entrar no ar em sinal aberto em Piracicaba foi a TV Câmara – emissora da Câmara de Vereadores de Piracicaba. O início, nos anos 2000, se deu por meio de transmissão a cabo, ou seja, somente quem tinha um pacote de TV por assinatura da NET poderia ter acesso ao conteúdo da TV Legislativa. Em 2013 a Agência Nacional de Telecomunicações autorizou para o munícipio a concessão do canal 60.4 UHF à TV Câmara, que atualmente opera na frequência 11.3 UHF.
A TV Jornal de Limeira (SP) (40.1 UHF) e a TV Opinião de Araras (SP) (41.1 UHF) também têm retransmissoras em Piracicaba, sendo que apresentam em suas programações algumas notícias do munícipio.
Atualizado em 12/01/2021.
Marcelo Bandeira é jornalista.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
Limiar de uma nova década
Por Edson Rontani Júnior, jornalista
Alguns
irão se deter na inútil discussão: a década começa no ano zero ou ano um ?
Vamos seguir por princípio que a década de 20, do atual século, começou em
primeiro de janeiro passado e se estende até o dia 31 de dezembro de 2030. Mas,
este não é o propósito deste artigo. Seu objetivo é lembrar que estamos
entrando numa década de definições, principalmente diante da pandemia do
coronavírus que nos desacomodou e está definindo o que é o “novo normal”.
Neste
novo cenário, não podemos esquecer que Piracicaba terá muito a se movimentar ao
longo desta década.
Um
destes pontos é a comemoração dos 200 anos da independência do Brasil diante do
reino de Portugal, em 2022. Lembrado em 7 de setembro ainda é motivo de dúvidas
quando jornalistas vão às ruas realizar enquetes populares e torna-se evidente
a confusão entre Dom Pedro Primeiro e Deodoro da Fonseca e o real motivo de
comemoração da data.
Foi
em lembrança pelo centenário da independência que Lídia de Rezende construiu o
Marco em “oblação” a Dom Pedro, em terras do Engenho Central que depois cedeu
espaço para a avenida Armando Césare Dedini.
Em
1922, o centenário da Independência parou a cidade. O Brasil ainda respirava um
ar inebriante da República, instaurada 33 anos e já se deparava com paulistas e
mineiros na presidência, no que a história nos ensina como sendo a “política do
café com leite”. O poder público criou diversas solenidades para lembrar a data,
algumas das quais podem ser vistas na rede através de um filme rodado na época
e restaurado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. Produção esta
feita pela Independencia Film para a Exposição Nacional do governo federal.
Foi
no fervor das comemorações que a Companhia Paulista de Estradas de Ferro
revolucionou uma nova área que surgia em Piracicaba, conhecida até então pela
Chácara Nazareth e pela Igreja dos Frades Capucinhos. Também em 2022
comemora-se o centenário da instalação da Estação de Trem da Paulista, que,
inclusive denominou o novo bairro que surgiu além da avenida doutor Paulo de
Moraes. A via férrea não existe mais. O espaço foi palco do Varejão da
Paulista, de circos que por ali se instalaram e também virou o Sambódromo da
cidade no final da década de 1990. Hoje é um parque de lazer e ocupa um centro
cultural exemplar. O terminal ferroviário era promessa do início do século,
prevendo que estivesse pronto em 1902. Funcionava como o término da Estrada de
Ferro da Paulista. Talvez por isso, por anos, Piracicaba foi considerada “fim
de linha”, motivado por que os trens e seus vagões encerravam sua viagem em
área ao lado de onde por anos encontrou-se a Metalúrgica Alvarco.
No
próximo ano, comemora-se o cinquentenário da Academia Piracicabana de Letras, criada
em 8 de março de 1972. O ideal de João Chiarini permanece ativo, buscando novos
leitores e escritores num período de domínio da escrita e propagação digitais.
Também
nos aproximamos do cinquentenário do Salão de Humor de Piracicaba, criado em
1974 e que, em 1976 tornou-se internacional, trazendo para nossa terrinha, pela
primeira vez, um artista internacional: Sergio Aragonés, hoje com 83 anos,
espanhol de nascimento, mas criado no México, de onde despachou nos anos 1960 e
1970 suas impagáveis piadas para as franquias da revista Mad publicada em todo
o planeta. A ideia que surgiu em O Diário para tirar a mordaça criada pela
livre expressão da imprensa, expôs Piracicaba ao longo dos últimos 50 anos de
uma forma exemplar.
Poderiam
ser enunciados aqui todas as datas festivas futuras desta década. Não existe
este propósito. O objetivo é chamar a atenção à sociedade em geral para algumas
datas consideradas como deveras importantes para nossa querida “Noiva da
Colina”. E que não caiam no esquecimento ...
Publicado no Jornal de Piracicaba em 13/01/2021 e na Tribuna Piracicabana em 16/01/2021.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
Estação da Ituana no Bairro Alto
do jornal Piracicaba, Folha Imparcial de 3/12/1876
Descrição contida no livro "Os Pioneiros", de Irineu Travaglia, 1976, Gráfica Portinho Cavalcanti
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Autódromo de Piracicaba
Foto do cartódromo de Piracicaba cuja construção ocorreu entre 1964/65, sendo o segundo no estado de São Paulo. O primeiro era o de Interlagos. A área era próxima a rodovia que liga Piracicaba a Rio Claro, perto das Indústrias Dedini. O projeto era do arquiteto João Chaddad, seguindo ideia de Maks Weiser, com 1.500 metros de extensão e reta de 800 metros. O terreno possuía cerca de 55 mil metros quadrados. No início das obras, foi realizado coquetel para autoridades e convidados. A obra foi realizada pela prefeitura que na época era comandada pelo comendador Luciano Guidotti, o qual recebeu a visita de membros da Willis Competição, e, a certo momento, um deles sussurrou ao ouvido do prefeito : "essa obra teve ter o dedo de Weiser, pois o autódromo foi feito para os carros dele ganharem as disputas"... Guidotti desmanchou a obra e nunca mais tocou no assunto. Foto e história contidas no livro "Corridas & Pilotos de Piracicaba", de Maks Weiser, de 2012. (Edson Rontani Júnior)

