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sábado, 31 de dezembro de 2016

Biblioteca da UNIMEP

Biblioteca da Unimep, Universidade Metodista de Piracicaba. Existe desde 1970 criada pelo Instituto Educacional Piracicabano. Possui obras clássicas e raras. Confira o vídeo feito em 1989 pelos alunos de Comunicação Social da Unimep.


domingo, 11 de dezembro de 2016

A influência da TV sobre a criança

"A influência da TV sobre a criança" foi tema de trabalho desenvolvido pelos formandos de Comunicação Social da Unimep, turma 1987/1990, muito antes do sucesso da internet. Neste trecho do trabalho, as profissionais Edázima Aidar e Marta Suplicy falam sobre o assunto.


domingo, 13 de novembro de 2016

O dia em que conheci Marilyn Monroe

* Edson Rontani Júnior, jornalista e cinéfilo


Foi numa tarde fria de 1981 que conheci uma loira deslumbrante. Todo seu fascínio foi tomado por uma cena clássica : ao passar pelo respiradouro de uma estação de metrô, sua saia se levantava, com isso, elevando também a libido masculina de seu parceiro. A apresentação desta loira foi feita por um respeitado programador de cinema de nome Paulo Perdigão, o qual nunca conheci mas senti, como muitos, por sua morte em 2006.

Na verdade, Perdigão me apresentou Norma Jean mitificada pelo cinema como Marilyn Monroe, uma loira exuberante que se tornou um símbolo sexual nos anos 50. Foi através de uma das várias “Sessão da Tarde” que a conheci em “O Pecado Mora ao Lado” o qual ela estreou junto com Tom Ewell, um impagável comediante que infelizmente não conseguiu seu lugar no hall da fama. Foi um medíocre notável.


Essas mal tracejadas linhas foram escritas em memória daquilo que Paulo Perdigão criou nos anos 80, uma legião de fãs que hoje estão na casa dos 40 ou 50 anos e que ficaram à sua mercê numa época em que filmes só eram assistidos no cinema ou na televisão por antena convencional (nada de tv a cabo e muito menos parabólica). Isso criou pessoas frustradas, pois os filmes eram exaustivamente reprisados e muitas vezes jogados em horários ingratos. Ou eram a tarde ou no início da madrugada, para maldição daqueles que trabalhavam durante o dia.

Lembro-me que assisti muitos filmes sem saber sua conclusão. Eles começavam por volta da meia noite ou uma da madrugada, de forma que seu desfecho se daria lá pelas três horas da madrugada. Confesso que vi o fim de muitos filmes apenas com o advento do DVD. Foi algo que comecei nos anos 80 e só conclui nos últimos anos. Taí um dos motivos pela frustração que - eu e uma geração de cinéfilos - tivemos de Paulo Perdigão ...


A “Sessão da Tarde”, ainda hoje em exibição pela Rede Globo, foi um achado para muitos que nos anos 80 viam sucessos das décadas anteriores. Ela era o aposentar das produções hollywodianas. Aquele filme que passou em horário nobre quando inédito na tv e depois reprisado, quando chegava à “Sessão da Tarde”, era para ser devolvido à sua distribuidora. Não interessava mais ao público.

Foram anos promissores nos quais muitos viram clássicos do cinema como “Tarde Demais Para Esquecer”, “Melodia Imortal” ou “Férias de Amor”. Além de Marilyn Monroe, fomos apresentados a astros como William Holden, David Niven e a diretores com John Huston, Billy Wilder ou Douglas Sirk. Tinham ainda Jerry Lewis, Os Três Patetas e filmes em preto e branco. Isso só de repetiria em meados da década de 1990 na Fox ou na TNT, dois canais de sinal fechado.


A TVS, hoje SBT, foi mais generosa com os amantes do cinema. Aos domingos entre 21 e 22 horas apresentava clássicos não mais exibidos, a não ser pelo Telecine Cult. Foi lá que vi Lana Turner se desesperar em “Imitação de Vida” ou em “Madame X”, vi o careca Telly Savallas ser um sargento durão em “Beau Geste” (versão dos anos 60), Jerry Lewis em “Qual o Caminho para a Guerra”, ou assistir aos clássicos do horror como “Museu de Cera”, “Assassinatos na Rua Morgue”, entre outros. O ruim é que lembro de Perdigão – que me frustrou – mas nem sei quem era o programador da TVS – que tanto alimentou minha cultura cinematográfica.


Hoje durmo feliz, sonhando com Marilyn Monroe. Confesso que tive o privilégio de ser enfeitiçado pelo sexy appeal desta loira cinematográfica que grande maioria sequer se lembra. Mas confesso, sou feliz por ter vivido uma época na qual imperava na televisão o amor colegial, sem agressividade, sem tirania e o melhor, sem induzir o expectador à violência. Grato, Perdigão !


(Publicado no Jornal de Piracicaba de 11 de maio de 2022)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Rua João Pessoa



   Rua do Commércio e Rua Governador Pedro de Toledo. A principal rua do comércio de Piracicaba resiste há muitos anos, tendo sido palco de carnavais, de apresentações da Banda do Bule, de desfiles cívicos como o de 7 de setembro, entre outra atividades. Entre a primeira e segunda denominação foi chamada de Rua João Pessoa, na década de 30. Porém, os registros históricos são poucos os quais não nos dão certeza de quando houve o início e fim desta denominação. É comum em ver nos jornais da época, anúncios de lojas como a antiga Portalarga usando a Rua João Pessoa como referência. A mudança para Governador Pedro de Toledo ocorre na segunda metade dos anos 1930, após a Revolução Constitucionalista de  1932, em homenagem ao interventor do estado de São Paulo. Já João Pessoa (foto) foi alvo de uma comoção nacional ao ser assassinado em 1930 quando ainda ocupava o cargo de governador (presidente, termo usado na época) da Paraíba. Foi candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, perdendo para Júlio Prestes, que não foi empossado devido à eclosão da Revolução de 1930. (Edson Rontani Júnior)

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Solidariedade



Ano de 1932. São Paulo passava pela Revolução Constitucionalista sendo alvo de uma crise bélica armada pelo governo federal liderado por Getúlio Vargas. Anúncios na imprensa piracicabana colocavam a disposição de "refugiados e pobres" quartos para moradia. Sem muitos detalhes de como poderia ser feita a ocupação. A confiança e honestidade imperavam há 84 anos atrás. Engraçado é ver neste anúncio publicado pelo jornal O Momento, em 27 de agosto daquele ano que uma funerária local oferecia condições mais em conta para funerais e, se preciso, de forma gratuita. Mais interessante é ver que a empresa utilizada espaço publicitário para anunciar o serviço gratuito. (Edson Rontani Júnior)

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O fim do P.S.



* Edson Rontani Júnior – jornalista

Litera scripta Manet (A palavra escrita permanece) – Horácio

   Pouca gente se deu conta. A geração atual talvez nem o tenha conhecido. Mas, a era digital acabou há tempos com ele. O P.S. já não faz parte de nossa escrita há anos, ao contrário de seu parente mais próximo o “obs.”, ou observação, que escrevemos nos ofícios ou no e-mail para chamar a atenção do receptor de nossa mensagem.

   O P.S., ou post-scriptum (escrito depois) no latim, teve por muitas décadas a função de corrigir esquecimentos humanos em cartas, artigos de jornais e memorandos empresariais. Foi um recurso utilizado pelos datilógrafos ao concluir seus escritos. Com o uso da máquina de escrever, era trabalhoso ter de datilografar um conteúdo novamente do início ao fim. Utilizava-se, então, um adendo ao seu final, na intenção de corrigir lapsos de memória. Ou até mesmo para demonstrar que foi realizada alguma correção ou atualização no conteúdo principal.

   Com o uso de computadores, o simples ato de copiar e colar, ou ainda, salvar um novo teor sobre o antigo arquivo, possibilitou a interação propícia para alterar em qualquer momento aquilo que se escreve.

   Quem usou a máquina de escrever sempre agradeceu a esta invenção da escrita humana. O P.S. servia para corrigir falhas, enganos e tinha o sobrepujante papel de dar destaque diante de todo o conteúdo da carta ou o qualquer coisa que fosse datilografada. E para as cansadas mãos de quem dedilhava sobre o teclado, um “ufa!” para não ter que escrever tudo de novo. Em certos documentos era deixado um espaço, ao final, para observações posteriores a fim de complementar seu total teor.

   Ao longo da história, o P.S. deixou seu ar nostálgico, conforme é visto nos cinemas, quando a abandonada mocinha lia a carta de despedida do namorado dizendo que ia para a guerra e “p.s.: eu te amo!”. Foi muito utilizada nas citações de políticos, do mundo corporativo, e principalmente nas cartas (as quais não existem mais!) ... Na música, os Beatles enunciarem seu amor com o sucesso “P.S. : I Love You”.

   A invenção do P.S., pode se dizer, foi feita na modernidade. Não se sabe quando ou quem foi o seu autor. Apostam que Guttemberg tenha sido seu inventor, durante o processo das prensas. Mas, estudos indicam seu uso muitos séculos antes, até mesmos pelos escribas egípcios ou pela igreja durante a propagação do conhecimento religioso, ou até pelas tragédias gregas. Mas foi durante o Império Romano que se propagou.

   Há de se convir que foi um modismo aproveitado em todo o mundo, independente do dialeto ou da grafia utilizadas. Nas cadeiras acadêmicas, o P.S. foi substituído pelas “notas de rodapés”, recurso também utilizado pelos jornais ao longo dos anos no século passado, porém com a denominação de “errata”, que possuía o mesmo fundamento do “post-scriptum”, corrigir falhas ou lapsos.

   Talvez para muitos, sua ida não cause uma lacuna emocional na escrita humana. Para outros, foi uma invenção que, até certo tempo, ajudou muito na expressão da língua.

   P.S.: Creio ter expressado tudo o que pensava, não necessitando de um “post-scriptum”. Mas, para não perder o hábito...

(publicado no Jornal de Piracicaba de 08/03/2023)

domingo, 4 de setembro de 2016

Jornalistas escrevem com as mãos ?

* Edson Rontani Júnior – jornalista pós-graduado em jornalismo contemporâneo

Recordo-me de quando ainda cursava a graduação em jornalismo. Fiz, na ocasião, um trabalho referente às reações dos órgãos de repressão no Brasil durante os anos 70. Um dos estudos apontava para um jornalista que teve quebrados os dedos das mãos por ter publicado uma matéria contra os interesses da ditadura. Seria uma lição para que ele nunca mais se prostrasse diante de uma máquina de escrever e dedilhasse sua ferocidade crítica em novas matérias. No dia seguinte, o mesmo jornal publicou uma matéria na capa de autoria do próprio jornalista com o título : “Será que eles pensam que jornalista escreve com as mãos?”.

A manifestação do editor torna claro que os dedos do jornalista servem como extensão do cérebro, o centro do pensamento humano. Que o diga a ciência a qual criou tecnologia para pessoas acamadas se comunicarem com o movimento das pálpebras ou de músculos faciais. Ou, ainda, Stephen Hawking, físico britânico, acometido por esclerose amiotrófica, há décadas preso em uma cadeira de rodas, que escreve livros, através de óculos infravermelhos e, pela movimentação de certos músculos da face, consegue ordenar letra ou palavra para se expressar.

Na Rússia, o espancamento de profissionais da imprensa é exemplar. Em novembro de 2014, Oleg Kashin teve pernas, mandíbula e dedos esmigalhados por barras de ferro para que, como jornalista, não pudesse andar, falar e escrever. Kashin escreveu uma série de matérias sobre uma floresta a ser derrubada para dar espaço a uma rodovia. De 2005 a 2010, a Rússia liderou mundialmente o ranking de atentados contra jornalistas. Foram mais de 100 ações contra funcionários, donos de jornais, dentre elas 50 mortes. O leste europeu é manchete constante nos jornais, por reações a matérias jornalísticas que ferem interesses de poderosos.

Já na China, o índice de caça aos escritores é nula, pois poucos ousam se confrontar com um governo repressor. Nos Estados Unidos, a crítica é constante e respeitada. Tem seu poder consolidado diante da sociedade.

Escrever o básico ou ir além dele confronta-se em muito com o olhar comercial, e, muitas vezes, fere ascensões em carreiras profissionais. Desde que lançada comercialmente nos anos 90, a internet tornou-se uma nova forma de comunicação. Não é considerada confiável, a exemplo do jornal ou da televisão. Mas, é democrática. A crise denominada de “primavera árabe” motivou um corte total à internet em países como o Egito. É a forma mais atual contra a expressão. Antigamente, perseguia-se aquele que falasse demais, hoje, tira-se o cabo da parede e perde-se contato com o mundo. Que o diga Julian Assange, criador do WikiLeakis.